
O manifesto em defesa da democracia e do sistema eletrônico de votação, que será lançado no próximo dia 11 pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), já contava com mais de 270.000 assinaturas nesta quarta-feira (27).
Intitulado nova “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, o texto reúne personalidades dos mais diversos campos políticos e ideológicos e constitui uma resposta ao discurso golpista de Jair Bolsonaro contra a lisura do processo eleitoral.
O manifesto foi lançado no final da tarde da terça com mais de três mil assinaturas iniciais e, depois disso, as adesões explodiram. A lista traz importantes nomes do PIB brasileiro, como empresários e banqueiros. Entre eles, Roberto Setúbal, Pedro Moreira Salles e Cândido Bracher, do Itaú Unibanco, Pedro Passos e Guilherme Leal, da Natura, Walter Schalka, da Suzano, Eduardo Vassimon (Votorantim), Horácio Lafer Piva (Klabin).
Artistas, advogados, integrantes da magistratura e do Ministério Público também estão entre os signatários. Assim como economistas ligados ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como Armínio Fraga, Pedro Malan, Edmar Bacha e Elena Landau, a ex-ministros de governos do PT, além da professora Vanessa Canado, ex-assessora especial do atual ministro da Economia, Paulo Guedes.
Os ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, Carlos Velloso, Celso de Mello, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Eros Grau, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim também aderiram à iniciativa.
Também assinaram centenas de professores da USP, entre eles: Celso Lafer, Enéas de Oliveira Mattos, Affonso Celso Pastore, José Rogério Cruz e Tucci, Maria Paula Dallari Bucci, Patrícia Faga Iglecias Lemos e Silmara Juny de Abreu Chinellato. Dos docentes de outras universidades, também em centenas, veem-se, entre outros, Clemerson Cleve, Daniel Sarmento, Fábio Ulhôa Coelho, Flávia Piovesan e Heloísa Estellita.
O manifesto critica os “ataques infundados e desacompanhados de provas” que questionam “o Estado Democrático de Direito” e a lisura do processo eleitoral. “Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão”, diz o documento.
“Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições. Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o Estado Democrático de Direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira”, diz trecho do texto. “São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional”, acrescenta.
A iniciativa resgata a Carta aos Brasileiros, manifesto a favor das liberdades democráticas lido em 1977 pelo professor Goffredo da Silva Telles Jr., da Faculdade de Direito da USP, considerado um libelo contra a ditadura vigente à época.
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