
Horas trabalhadas na produção (-0,2%) e salários reais médios (-0,1%) também recuaram, aponta a Fiesp
As vendas reais da indústria paulista registraram queda de 4,4% no mês de fevereiro, informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Outros dois componentes da pesquisa também apresentaram desempenho negativo no mês: as horas trabalhadas na produção, que recuaram 0,2%; e o indicador de nível dos salários reais médios, com resultado de queda de 0,1% no mês.
A exceção foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que se manteve praticamente estável, com variação de 0,2 ponto percentual no mês, alcançando 77,6% de utilização, segundo Levantamento de Conjuntura da entidade divulgado na segunda-feira (31).
O resultado de fevereiro sucede o bom desempenho de janeiro, quando as vendas das indústrias de São Paulo tiveram alta de 14,5%. No acumulado do ano, as vendas reais também avançaram (+16,1%), enquanto as horas trabalhadas na produção cresceram 3,8%.
No entanto, a indústria em geral tem atribuído os recentes resultados negativos do setor ao ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic), que tem afetado tanto a demanda quanto a capacidade de investimento das empresas. Em resposta, a Fiesp tem feito críticas ao aperto monetário. Segundo o “Jurômetro” da entidade, nos últimos dez anos, o país desembolsou cerca de R$ 4,7 trilhões em juros – um valor significativamente superior ao investido em educação, infraestrutura e no setor produtivo.
Diante disso, os índices de confiança e expectativas dos empresários paulistas seguem em queda. O Índice de Confiança do Empresário Industrial, apurado pela Fiesp em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), encerrou março em 45,9 pontos, abaixo da linha divisória dos 50 pontos, indicando pessimismo.
O indicador de expectativas também caiu, atingindo 47,7 pontos em março. A redução foi de 0,9 ponto frente a fevereiro (48,6 pontos) e de 5,9 pontos na comparação com março de 2024. Quando abaixo dos 50 pontos, o indicador reflete um cenário de incerteza para os próximos seis meses.
