
“A ação dos EUA viola as regras do comércio internacional, prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China e é uma manifestação típica de intimidação unilateral”, assinalou comunicado do Conselho de Estado
A China reagiu nesta sexta-feira (4) à guerra tarifária contra o mundo decretada pelo governo Trump e, de forma espelhada, estabeleceu tarifas de 34% sobre todos os produtos dos EUA. A nova taxa passará a valer a partir da próxima quinta-feira (10).
“A ação dos EUA viola as regras do comércio internacional, prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China e é uma manifestação típica de intimidação unilateral”, assinalou comunicado do Conselho de Estado, que acrescentou que as taxas “não são verdadeiramente recíprocas”.
A China também está acionando os EUA na Organização Mundial de Comércio (OMC) em relação ao tarifaço.
A reação havia sido antecipada na véspera pelo porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, que disse que Pequim “se opõe fortemente ao movimento dos EUA e tomará resolutamente contramedidas para salvaguardar seus interesses legítimos” e exortara Washington a “corrigir imediatamente seus erros e resolver as disputas comerciais com a China e outros países por meio de um diálogo igualitário, respeitoso e mutuamente benéfico”.
Ainda segundo o governo chinês, a decisão dos EUA é “inconsistente com as as regras do comércio internacional” e tem como base “avaliações subjetivas e unilaterais”, e atingirá não não somente os países afetados, como também as próprias indústrias norte-americanas.
“Está claro para todos que mais e mais países estão se opondo às ações unilaterais de intimidação dos EUA”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, que acrescentou que “não há vencedores em guerras comerciais e tarifárias”.
Além da equiparação de tarifas, a China também anunciou na sexta-feira que vai impor controles sobre a exportação de terras raras [samário, gadolínio, térbio, disprósio, lutécio, escândio e ítrio] para os EUA —, que são a base para a produção de muitos produtos tecnológicos, como chips para celulares, computadores e cartões.
Decisão tomada para “melhor proteger a segurança e os interesses nacionais e cumprir obrigações internacionais como a não proliferação”, disse o Ministério do Comércio em um comunicado.
Ainda, 11 empresas norte-americanas foram incluídas na lista de entidades não confiáveis do país, por sua interferência em Taiwan. Elas foram proibidas de se envolver em atividades de importação e exportação e de investirem na China.
Em paralelo, a China suspendeu as qualificações de importação de seis empresas americanas na sexta-feira, para proteger a saúde dos consumidores chineses e garantir a segurança da indústria pecuária do país. Recentemente, a alfândega chinesa detectou níveis excessivos de zearalenona e contagem total de fungos no sorgo importado dos EUA, bem como Salmonella na carne de aves e farinha de ossos importada dos EUA, de acordo com um comunicado no site da Administração Geral das Alfândegas.
No mundo inteiro, seguem as reações à guerra tarifária de Trump, enquanto as bolsas de valores estão derretendo. O índice de Wall Street S&P 500 despencou 10% em dois dias, assim como a Nasdaq e o Dow, com mais de US$ 6 trilhões indo pelo ralo. Sob o tarifaço, preocupou-se o Washington Post, “Europa e China consideram laços econômicos mais estreitos”. Para o jornal, “Trump pode ter acabado com a globalização como a conhecemos”. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powells, admitiu que o tarifaço de Trump vai provocar inflação e reduzir o crescimento. “Esta não é a América em primeiro lugar; esta é a América sozinha”, disse Hildegard Müller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA), em nota enviada ao Global Times na quinta-feira.