
“Nosso objetivo é que se produzam máquinas nesse país para que se atenda a necessidade do pequeno produtor”, disse o chefe do Executivo
O presidente Lula participou, nesta segunda-feira (30), do lançamento do Plano Safra Agricultura Familiar de R$ 89 bilhões, que oferece crédito rural com juros abaixo da inflação para produção de alimentos e recursos para compra de máquinas e equipamentos.
Somente para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) serão R$ 78,2 bilhões para 2025 e 2026. Em relação a 2024, o investimento subiu 3%. Já em comparação com valores do Pronaf no governo Bolsonaro, o acréscimo foi de 47,5%.
No âmbito do programa, a produção de arroz, feijão, frutas, verduras, ovos e leite terá financiamento de até R$ 250 mil com 3% de juros ao ano. Se a produção for orgânica ou agroecológica os juros caem para 2%, com reembolso variando de 11 meses até três anos.
Outras linhas de crédito, como a voltada para sistemas agroecológicos, têm juros de 0,5% ao ano e limite de R$ 20 mil.
O presidente Lula afirmou, em discurso, que “uma taxa de juros de 5%, em uma inflação de 5%, é taxa de juros zero. Taxa de 3% em uma inflação de 5%, é juro negativo”.
Lula falou que o programa elaborado pelo governo tem influência da pressão que foi exercida ao longo do último ano. “O Plano Safra é o resultado daquilo que vocês adquiriram de consciência nesse período todo. Aprenderam como é lidar com um governo democrático e como é lidar com um governo que não é democrático”, disse, criticando os governos anteriores que não se reuniam com movimentos sociais.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, enfatizou que, “além do valor recorde, conseguimos manter taxas de juros acessíveis, especialmente para a produção de alimentos essenciais, mesmo em um cenário econômico desafiador, garantindo que o agricultor familiar tenha condições justas de financiamento”. Os altos investimentos nos últimos anos geraram safra recorde, informou.
O Plano Safra 2025/26 também tem foco na aquisição de máquinas e equipamentos, tendo juros variando entre 2,5% e 3% ao ano. Lula destacou a importância desse ponto, que favorece os pequenos produtores. O valor máximo do crédito para aquisição de máquinas e equipamentos por pequenos produtores passou de R$ 50 mil, no Plano anterior, para R$ 100 mil.
O pequeno proprietário de terras “precisa de uma máquina do tamanho da terra dele, para colher e capinar. Quando tem essa máquina, ele aumenta a sua produtividade, aumenta a qualidade de vida dele e da família e a possibilidade de melhorar o conjunto da sociedade ou daquela comunidade”.
“Esse é o objetivo final: fazer com que as pessoas melhorem de vida a partir das possibilidades que o governo pode compartilhar com eles”, disse.
O presidente também disse que “nosso objetivo é que se produzam máquinas nesse país para que se atenda a necessidade do pequeno produtor”.
Em discurso, Lula defendeu o fortalecimento do mercado interno como fator fundamental para o desenvolvimento econômico do país. Ele contou que tem conversado com empresários para convencê-los que “torçam para que os mais pobres cresçam”.
“Quando os mais pobres crescerem, vão virar mais consumidores, vão comprar mais roupa, mais comida, mais televisão, mais computador, vão viajar, vão comprar carro novo. Quando os mais pobres melhoram, o país melhora”, completou.