
Ela se recusou assinar acordo que evitaria prisão. Fugiu para Argentina até chegar ao México e ser detida com outras condenadas na fronteira com os EUA, após a posse de Trump
Ela é catarinense de Balneário Camboriú. Foi presa ao chegar ao Brasil, no último sábado (24), em voo com outras 102 pessoas repatriadas dos Estados Unidos. Ela foi condenada por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A golpista recebeu 1 ano de prisão por associação criminosa pela participação no 8 de janeiro, mas teve a pena convertida em medidas alternativas, como prestação de serviços comunitários e participação em curso sobre democracia.
Mas ela não quis assinar o acordo de não persecução penal e fugiu do País.
Apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Cristiane de Silva, que é garçonete, deixou o Brasil em 2024, quando o processo ainda estava em fase preliminar e havia possibilidade de suspensão. Mas ela se juntou a outros condenados e viajou para a Argentina.
ACORDO BRASIL E ARGENTINA
O grupo apostava em abrigo no país vizinho com a posse do presidente Javier Milei, aliado de Bolsonaro. Mas ele decidiu colaborar com a Justiça brasileira, conforme acordo entre ambos os países, que prevê a extradição de condenados.
Diante de tal cenário, o grupo foi para o Peru e, depois, para a Colômbia — país que abandonaram por ser governado pela esquerda de Gustavo Petro, o que, para eles, era garantia de extradição.
Da Colômbia, o grupo seguiu para Panamá e México. Os brasileiros foram detidos em El Paso, no Texas, em 21 de janeiro deste ano, 1 dia após a posse de Donald Trump, que prometeu intensificar a repressão contra imigrantes ilegais.
OUTRAS TRÊS GOLPISTAS
Outras três brasileiras envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023 também foram presas nos EUA: Rosana Maciel Gomes, condenada a 14 anos; e Raquel de Souza Lopes, condenada a 17 anos; e Michely Paiva Alves, que ainda responde como ré.
Elas tentaram ir para os EUA após os pedidos de extradição do STF (Supremo Tribunal Federal). No país americano, buscavam asilo político no governo Trump, vez que ele é aliado de Bolsonaro.
As mulheres, porém, foram detidas durante patrulhamento nas fronteiras do Texas. A Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA não forneceu detalhes sobre as condições da detenção, e citaram “questões de privacidade”.
PRESAS E DEPORTADAS
Ao serem presas, elas foram processadas pela Patrulha de Fronteira dos EUA por meio de expulsões aceleradas, procedimento mais rápido de deportação.
Nesse tipo de processo, os estrangeiros são deportados sem que tenham audiência diante de juiz de imigração. As prisões das brasileiras foram reveladas pelo portal UOL, em março de 2025, quando elas já estavam detidas havia 50 dias.
VOOS DE REPATRIAÇÃO
Cristiane voltou ao Brasil no último sábado (23). O avião, que pousou em Fortaleza, trouxe 90 homens e 13 mulheres, a maioria entre 18 e 29 anos.
Segundo o MDHC (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania), 3 pessoas tinham mandados de prisão ativos e foram encaminhadas diretamente à custódia da PF (Polícia Federal). Entre elas, Cristiane. As outras 2 seguiram para Confins (MG), em avião da FAB (Força Aérea Brasileira).
Desde fevereiro, 783 brasileiros foram repatriados dos EUA em voos organizados pelos governos Trump e Lula. Quando chegam ao Brasil, os brasileiros têm assistência médica e psicológica, além de receberem alimentação e direito a banho.
VOOS DOS EUA PARA O BRASIL
Os voos pousam primeiro em Fortaleza para diminuir o tempo de viagem em aeronaves contratadas e operadas pelo governo dos EUA, em que os repatriados viajam algemados, tratados como criminosos.
Ao chegar na capital do Ceará, ficam sob responsabilidade do governo brasileiro.
Além disso, pessoas em situação de vulnerabilidade, como idosos, pessoas com deficiência e população LGBTQIA+, ainda recebem acompanhamento especializado.
“Para aqueles que não têm um local para ficar quando chegam, o governo federal oferece estrutura de acolhimento provisório com alimentação e acomodação, além do custeio de passagens de ônibus para o retorno seguro às cidades de origem, em parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”, divulgou o governo brasileiro.