
Defesa solicitou à Justiça italiana que aguardasse em liberdade decisão sobre o pedido de extradição feito por autoridades brasileiras. Juízes negaram o pedido. Ela continuará presa até o fim do processo
A Justiça da Itália decidiu que Carla Zambelli (PL-SP) seguirá presa. A decisão foi divulgada um dia após a deputada federal licenciada passar por audiência com 3 juízes no país europeu.
Em documento, a Corte de Apelação do país argumenta que existe “grau máximo” de perigo de fuga de Zambelli caso ela seja solta. Por conta disso, decidiram que a prisão deveria ser mantida.
Os juízes analisaram laudos médicos e decidiram que a deputada tem condições de seguir na prisão.
Para eles, o perito médico avaliou “em termos gerais e abrangentes, que a equipe que trabalha na unidade onde a paciente está internada garante a administração correta de terapias farmacológicas, o monitoramento básico e especializado constante da saúde e a administração correta e consistente das terapias estabelecidas.”
DUPLA CONDENAÇÃO
A Justiça italiana analisa o pedido de extradição feito por autoridades brasileiras. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, solicitou a extradição de Zambelli, condenada 2 vezes pela Corte.
A primeira condenação foi em razão da fraude no sistema eletrônico da Justiça, com o uso de credenciais falsas, obtidas de forma ilícita.
O fato aconteceu entre os dias 4 e 6 de janeiro de 2023, quando foram inseridos, com fraude, no sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e em outros tribunais do País, 11 alvarás de soltura de indivíduos presos, e mandado de prisão também falso, contra o ministro Alexandre de Moraes. Por este crime ela foi condenada a 10 anos de prisão e perda do mandato.
A segunda foi pela perseguição a apoiador do presidente Lula (PT) na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Os ministros aplicaram pena de 5 anos e 3 meses de prisão. E a perda do mandato. Neste processo, a defesa ainda pode recorrer.
A deputada fugiu do Brasil antes de ser presa e a defesa solicitou às autoridades italianas que aguardasse pela decisão em liberdade, o que foi recusado. Zambelli seguirá presa até ser extraditada ou não, conforme nova decisão da Justiça do país.
TERCEIRA CONDENAÇÃO
A deputada está enredada numa terceira condenação. Essa pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo). Em sessão realizada, no fim de janeiro deste ano, a Corte estadual concluiu o julgamento da Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) contra Zambelli (PL) e cassou o diploma de deputada, por maioria de votos — 5 a 2. Cabe recurso ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A decisão, que também a tornou inelegível por 8 anos, a partir do pleito de 2022, reconheceu o uso indevido dos meios de comunicação e a prática de abuso de poder político. A ação foi proposta pela também deputada federal Sâmia Bomfim (PSol-SP)), sob alegação que Zambelli divulgou informações inverídicas sobre o processo eleitoral de 2022.
AUDIÊNCIA NA QUARTA
Na quarta-feira-feria (27), o advogado da deputada afirmou que o responsável pela perícia feita pelo Estado italiano falou por cerca de 2 minutos e disse que Zambelli “pode continuar em cárcere, não teve porque, como ou onde”, ao tratar de justificativas.
Segundo Pagnozzi, o procurador de Justiça da Itália alertou aos juízes sobre o risco de fuga da brasileira, o que o advogado negou.
“Ela não tem nem passaporte italiano, nem passaporte brasileiro e não tem dinheiro porque o Alexandre de Moraes [ministro do STF] bloqueou as contas dela e do marido. Então, ela não tem como ir para outro lugar”, disse.