
“Ele saiu do Brasil, e foi para os Estados Unidos trabalhar contra a economia brasileira e ficar mentindo em relação ao Brasil”, afirmou Lula, lembrando que Nikolas Ferreira também ajudou o crime organizado
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (29), em entrevista à Radio Itatiaia, de Minas Gerais, que os Estados Unidos não podiam impor tarifas contra o Brasil porque eles sempre tiveram vantagens comerciais. “Nossas taxas aos produtos americanos são baixas e nos últimos quinze anos eles tiveram um superávit comercial com o Brasil de US$ 410 bilhões”, disse Lula, desmentindo as alegações de Trump de que os EUA tinham déficits com o Brasil.
Lula falou também que o Brasil está pronto para negociar e que não tem pressa para tomar medidas de reciprocidades em relação ao governo americano. Ele destacou que todas as empresas que atuam no Brasil têm que respeitar as leis brasileiras. “O presidente americano tem que compreender que o Brasil tem uma constituição e legislação e que todas as empresas de qualquer nacionalidade que estejam implantadas no Brasil se submetem à legislação brasileira”, afirmou, referindo à atuação das big techs americanas no país.
“Nós vamos regular as big techs. Nós vamos regular porque queremos defender as nossas crianças e nossos adolescentes”, destacou Lula. “O Congresso já fez uma parte que foi regular a questão dos adolescentes. Nós vamos fazer uma regulação, até semana que vem vamos dar entrada no Congresso Nacional da proposta do governo para a gente regular definitivamente as big techs”, acrescentou o presidente, afirmando que conversará com o presidente dos EUA a hora que ele quiser.
Assista a entrevista na íntegra
Lula voltou a fazer críticas ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos conspirando contra Brasil desde o fim de fevereiro. Para o presidente da República, a Câmara dos deputados deve cassar o mandato dele em função da atuação nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.
“Ele [Eduardo] não pode exercer o mandato dele [remotamente]. Eu já falei com o presidente Hugo Motta e outros deputados de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país”, disse. “Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo. Porque ele sai do Brasil, vai para os Estados Unidos atacar o Brasil e ficar mentindo em relação ao Brasil. As acusações que o [Donald] Trump fez ao Brasil para fazer a taxação são todas inverídicas”, prosseguiu.
Durante a entrevista, Lula exaltou a operação realizada nesta semana pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público de São Paulo, classificada como a mais importante em 525 anos de história do Brasil contra o crime organizado. Segundo ele, a ação mirou os setores mais poderosos do crime organizado. Ele afirmou que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) terá que se explicar, porque ele ajudou o crime organizado com fake news.
“Tem um deputado que fez uma campanha contra a mudança que a Receita Federal propôs, e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. E nós não vamos dar trégua”, afirmou o presidente, sem citar o nome de Nikolas no ar, mas deixando clara a referência. Lula disse que o parlamentar mineiro fez campanha contra medidas da Receita Federal que buscavam ampliar o combate a esquemas ilegais. “A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país e o ex-presidente [Jair Bolsonaro] que tome cuidado”, afirmou Lula.
O presidente comentou também sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Lula afirmou que a busca pela anistia de Bolsonaro é “uma coisa tão impertinente” e que o ex-presidente deve primeiro provar a inocência. “Ninguém foi ainda condenado, o homem não foi nem julgado. Ele já está querendo anistia. Ele já está dizendo que é culpado e está querendo ser perdoado. Não. Ele tem que primeiro provar a inocência dele. Ele está tendo o direito a presunção de inocência que eu não tive. Ele que se defenda e que prove que é mentira”, exclamou.
“Se ele cometeu o crime, ele vai ser punido. Se ele não cometeu vai ser absolvido. E a vida continua. É assim que as coisas devem funcionar no Brasil. A justiça deve valer exatamente para todos”, afirmou Lula, dizendo que não pretende assistir ao julgamento, porque, segundo ele, tem coisa “melhor para fazer”.
O presidente voltou a defender publicamente o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) como candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. Ele classificou Pacheco como a “figura política mais importante de Minas” e disse que uma chapa formada ao lado da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), seria “imbatível” nas urnas. Ao longo da conversa, Lula também criticou o governador Romeu Zema (Novo), a quem chamou de “falso humilde”. O presidente argumentou que Zema tenta vender uma imagem de simplicidade que, segundo ele, não condiz com a realidade de sua gestão.
Segundo Lula, Rodrigo Pacheco reúne experiência e credibilidade suficientes para liderar o Estado. Ele destacou o papel do senador na condução do Congresso e em negociações consideradas essenciais para Minas, como o acordo da dívida de R$ 191 bilhões com a União. “Foi a coragem do Pacheco que garantiu a manutenção do processo democrático neste país. Foi a capacidade dele que permitiu organizar o acordo de uma dívida considerada impagável. Parte dos juros que Minas não vai pagar será transformada em políticas sociais, sobretudo na educação, com quase R$ 4 bilhões investidos”, afirmou o presidente.
O presidente lembrou ainda que Zema herdou, segundo ele, condições financeiras favoráveis após decisão do Supremo Tribunal Federal que permitiu a suspensão do pagamento da dívida mineira com a União durante a gestão de Fernando Pimentel (PT). “Ele teve dinheiro para fazer o que queria. Agora, graças à atitude corajosa do meu ministro da Fazenda e do Pacheco, fizemos um acordo para que todos os estados paguem suas dívidas”, completou.
Lula finalizou ressaltando a importância histórica e política de Minas Gerais para o Brasil. Ele citou nomes como Tiradentes, Tancredo Neves, Betinho e Henfil, lembrando que o Estado sempre exerceu forte influência na cena nacional. “Não existe povo mais esperto politicamente. O mineiro já nasce com a experiência política de berço”, concluiu.