
“O Brasil oferece uma lição de democracia para uma América que está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária”, afirma a revista inglesa
A revista The Economist, sediada na Inglaterra, destacou o início do julgamento de Jair Bolsonaro, marcado para a próxima terça-feira (2), e disse que o Brasil poderá dar “lição de democracia” para os Estados Unidos.
“O Brasil oferece uma lição de democracia para uma América que está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária”, diz a revista.
O artigo destaca a diferença da forma como foram tratadas as tentativas de golpe nos Estados Unidos e no Brasil. Nos EUA, os criminosos que participaram da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, não responderam por golpe de Estado. Donald Trump, que incentivou a invasão, saiu impune e foi reeleito presidente.
A capa da edição de quinta-feira (28) da revista mostra Jair Bolsonaro utilizando um “chapéu viking” que ficou conhecido por ter sido usado por um apoiador de Donald Trump na brutal invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. O criminoso, chamado Jacob Chansley, foi condenado, mas recebeu o perdão presidencial por Trump.
Já no Brasil, os criminosos foram investigados, denunciados e serão julgados por atentado à democracia.
O Supremo Tribunal Federal (STF), que foi o maior alvo dos bolsonaristas na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, vai iniciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros réus do “núcleo crucial” do golpe. Bolsonaro responde pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio público da União e deterioração de patrimônio tombado.
A revista inglesa avalia que todo o processo, desde a investigação, a acusação e o julgamento, “torna o Brasil um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”. O golpe de Jair Bolsonaro “fracassou por incompetência, e não por intenção”, frisa a reportagem.
A The Economist também cita as tentativas do governo Trump de interferir indevidamente na política brasileira, utilizando tarifas e sanções contra autoridades.
“Isso nos remete a uma era sombria e passada, em que os Estados Unidos, habitualmente, desestabilizavam os países latino-americanos”, diz a revista.
“Felizmente, a interferência do Sr. Trump provavelmente sairá pela culatra. Ao contrário de seus pares nos Estados Unidos, muitos dos políticos tradicionais do Brasil, de todos os partidos, querem seguir as regras e progredir por meio de reformas. Essas são as marcas da maturidade política. Pelo menos temporariamente, o papel do adulto democrático do hemisfério ocidental se deslocou para o sul”, afirmou.
O STF credenciou 501 jornalistas para acompanharem o julgamento e abriu o plenário das turmas para a presença de público. As sessões foram marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.
Bolsonaro será julgado pela Primeira Turma do Supremo, que é composto pelos ministros Alexandre de Moraes, que é o relator do processo, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.