
Segundo o BC, em doze meses até julho deste ano, a despesa com juros atingiu R$ 941,2 bilhões. Os juros mais altos do planeta e a insistência em mantê-lo nas alturas impedem que o país retome o crescimento no ritmo que é necessário
O gasto do setor público (União, Estados/municípios e estatais) com juros voltou a disparar, ao atingir em julho deste ano a soma de R$ 109 bilhões, segundo números do Banco Central (BC), divulgados nesta sexta-feira (29). A soma corresponde a um aumento de 78,69% na passagem de junho (R$ 61,0 bilhões) para julho de 2024. Em julho de 2024, foram R$ 80,1 bilhões gastos. Portanto, houve um aumento de 36,08% no gasto com juros de um ano para o outro.
Em doze meses até julho deste ano, a despesa com os juros chegou a R$ 941,2 bilhões, o que corresponde a 7,64% do PIB. Essa soma corresponde a uma alta de 8,2% em relação aos doze meses até julho de 2024 (R$ 869,8 bilhões).
O montante pago de juros no mês de julho é aproximadamente 2,7 vezes maior que os R$ 40 bilhões previstos no “Plano Brasil Soberano”, criado pelo governo Lula, com o fim de mitigar o impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, às exportações brasileiras.
Conforme o relatório de “Estatísticas Fiscais” do BC, “contribuiu para essa evolução, além do próprio crescimento do estoque do endividamento líquido, a elevação da taxa Selic no período”.
A taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano, segue asfixiando o setor produtivo e as famílias brasileiras. E. segundo declaração do presidente da BC, Gabriel Galípolo, em evento da Fenabrave na quarta-feira (27), o juro permanecerá alto por “período prolongado”.
“A gente vem reforçando que essa taxa de juros deve permanecer por um período prolongado nesse patamar restritivo, justamente porque a gente está num cenário de ter descumprido a meta [de inflação]”, disse Galípolo, durante evento da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Com o crédito mais caro ocorre o resfriamento no consumo e da produção de bens e serviços no país, além da redução na geração de empregos. Os principais indicadores de prévia do PIB (Produto Interno Bruto) apontam para uma forte desaceleração da economia no segundo trimestre de 2025. O IBC-Br, do Banco Central, registrou uma alta de apenas 0,3%, contra 1,5% no primeiro trimestre.
Se por um lado a economia desacelera, por outro os bancos seguem com seus lucros a todo vapor. No primeiro semestre de 2025, os três principais bancos privados do Brasil (Itaú, Bradesco e Santander), juntos, registraram um lucro líquido de R$ 42 bilhões, sendo uma alta de 19,8% em relação ao mesmo período de 2024, quando somaram R$ 35,1 bilhões.