
“Como potência ocupante, Israel tem obrigações inequívocas perante o direito internacional – incluindo o dever de garantir alimentos e suprimentos médicos para a população. Chega de desculpas”, disse Antonio Guterres, secretário-geral da ONU
Os Estados Unidos se recusaram a assinar uma declaração política dos membros do Conselho de Segurança da ONU de que Gaza está sob fome catastrófica, apresentada por consenso pelos demais 14 membros – os outros quatro permanentes, França, Reino Unido, China e Rússia e os 10 temporários -, na mais recente admissão pública de completa cumplicidade de Washington com o genocídio perpetrado ao vivo por Israel.
A reunião foi convocada diante da oficialização pela ONU do estado de fome generalizada em Gaza, que já ameaça diretamente quase 650 mil palestinos, muitos deles, crianças e bebês, e do massacre com drones no Hospital Nasser, em que 20 palestinos foram mortos – nove pacientes, cinco médicos e enfermeiros, um socorrista e cinco jornalistas.
Os países signatários são Argélia, China, Dinamarca, França, Grécia, Guiana, Paquistão, Panamá, Coreia do Sul, Rússia, Serra Leoa, Eslovênia, Somália e Reino Unido.
O texto também exige que Israel imediata e incondicionalmente suspenda todas as restrições à entrega de ajuda, inclusive a abertura de todas as rotas terrestres e garantia de operações seguras e em larga escala para a ONU e seus parceiros humanitários.
“O tempo é essencial. A emergência humanitária deve ser enfrentada sem demora e Israel precisa mudar de rumo”, conclui a declaração.
Na reunião, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que “como potência ocupante, Israel tem obrigações inequívocas perante o direito internacional – incluindo o dever de garantir alimentos e suprimentos médicos para a população. Chega de desculpas. A hora de agir não é amanhã –é agora.”
O porta-voz dos genocidas israelenses,Danny Danon, notório assaltante de terras palestinas e que teve seu agrément negado pelo Brasil anteriormente e foi considerado depois persona não grata pela Colômbia, asseverou que o relatório e a fome são fabricações dos inimigos do Estado mais moral do mundo. Só faltou garantir que são alucinações as fotos de crianças palestinas só pele e osso, que chocam o mundo inteiro.
Conforme expôs ao CS a secretária-geral adjunta da ONU para assuntos humanitários e coordenadora de socorro de emergência, Joyce Msuya, “mais de meio milhão de pessoas enfrentam atualmente a fome, a miséria e a morte. Até o final de setembro, esse número pode ultrapassar 640.000. Aproximadamente 1 milhão de pessoas estão na Fase 4 do Programa de Emergência do IPC.E mais de 390.000 estão na Fase 3 do Programa de Crise do IPC. Praticamente ninguém em Gaza está imune à fome”.
Sobre as crianças, ela sublinhou que “pelo menos 132 mil menores de cinco anos sofrerão de desnutrição aguda entre agora e meados de 2026. O número de crianças em risco de morte entre elas triplicou para mais de 43.000”.
Quanto às mulheres grávidas e que amamentam, Msuya revelou que a previsão é de que o número daquelas em risco de morte pela fome aumente de 17.000 para 55.000.
“O Comitê de Revisão da Fome [da ONU] foi convocado cinco vezes para avaliar a segurança alimentar e nutricional em Gaza”, ela acrescentou, observando que em fevereiro do ano passado e em junho deste ano os resultados foram reiterados ao CS.
Na sexta-feira (29), as tropas ocupantes israelenses alcançaram a marca de 63.025 palestinos assassinados em Gaza. Segundo as autoridades médicas locais, foram mais 71 mortos e 339 feridos. Nas últimas 24 horas, mais cinco mortes pela fome, incluindo duas crianças, o que leva o total de mortes relacionadas à fome para 322, das quais 121 crianças.