São 5,9 milhões de brasileiros procurando emprego. Na informalidade estão 38,8 milhões de cidadãos, segundo IBGE
A taxa de desemprego do Brasil, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD Contínua), voltou a registrar, no trimestre encerrado em outubro, recorde de menor nível da série histórica. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou a pesquisa nesta sexta-feira (28), a taxa de desocupação ficou em 5,4% no período – a menor histórica desde o início da pesquisa, em 2012.
Em relação ao trimestre encerrado em setembro, o nível de desocupação caiu 0,2 ponto percentual – indo de 5,6% para 5,4%. Ante o mesmo período do ano passado, o desemprego recuou 0,7 ponto percentual – saindo de 6,2%.
Em números, a população desocupada (que compõe a taxa), também foi a menor da série histórica: 5,9 milhões de brasileiros procurando emprego, sem encontrar, nos meses de coleta da pesquisa. Enquanto isso, a população ocupada totalizou 102,6 milhões de brasileiros.
De acordo com o IBGE, a população ocupada se refere a empregados (do setor público ou privado, com ou sem carteira de trabalho assinada, ou estatutários); trabalhadores por conta própria, empregadores, trabalhadores domésticos (com ou sem carteira de trabalho assinada) e trabalhadores familiares auxiliares (pessoas que ajudam no trabalho de seus familiares sem remuneração).
O número é estável em relação ao trimestre móvel anterior, mas houve acréscimo de 926 mil pessoas ocupadas na comparação com o ano passado. Partindo deste número, o nível de ocupação, métrica que considera pessoas em idade de trabalhar, que estão efetivamente empregadas, ficou em 58,8% no período, estável tanto na comparação trimestral, quanto anual.
INFORMALIDADE ALTA
A ocupação cresce com níveis altos de informalidade no mercado de trabalho. Embora aquecido, é grande o número de trabalhadores brasileiros sem direitos trabalhistas, como a carteira assinada, férias e contribuição com a Previdência Social.A mudança na lei trabalhista penalizou os trabalhadores, aumentando a precarização do trabalho, com jornadas exaustivas, sem amparo e salários precários.
De acordo com a pesquisa, embora o número de empregados no setor privado tenha crescido e atingido o pico da série da PNAD, o número de trabalhadores na informalidade é quase tão alto (38,8 milhões) quanto os trabalhadores com carteira assinada (39,2 milhões). Os informais representavam, no trimestre encerrado em outubro, 37,8% da população ocupada.
DESACELERAÇÃO
A situação se agrava com o Banco Central impondo altas taxas de juros, sabotando os investimentos e a geração de empregos no país. Os dados, tanto do Caged de outubro, divulgados ontem, assim como os de hoje, já mostram sinais de desaceleração.
Segundo o Ministério do Trabalho, em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve uma queda de 35% na geração de emprego. Apenas dois dos cinco grandes setores assinalaram saldo positivo: serviços, com 82 mil postos criados e comércio (25,6 mil). A indústria com um todo perdeu 10 mil postos de trabalho.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) a “taxa de juros vem minando a demanda e reduzindo a atividade como um todo”. E alertou que “o índice de expectativa de número de empregados para os próximos seis meses recuou e segue mostrando expectativa de queda pelo quarto mês consecutivo”
De acordo com o IBGE, no trimestre encerrado em outubro, “a população ocupada do país ficou estatisticamente estável frente ao trimestre móvel anterior. Dois dos dez grupamentos de atividade investigados pela PNAD Contínua mostraram crescimento no período: Construção (2,6%, ou mais 192 mil pessoas) e Administração pública”.
“O número de empregados com carteira assinada no setor privado (exclusivamente trabalhadores domésticos) foi novamente recorde da série (39,2 milhões), com estabilidade no trimestre e alta de 2,4% (mais 927 mil pessoas) no ano. O número de empregados sem carteira no setor privado (13,6 milhões) ficou estável no trimestre e recuou -3,9% (menos 550 mil pessoas) no ano. O número de empregados no setor público (12,9 milhões) ficou estável no trimestre e subiu 2,4% (mais 298 mil pessoas) no ano”, ressalta o IBGE.
O número de trabalhadores por conta própria (25,9 milhões) ficou estável no trimestre e cresceu 3,1% (mais 771 mil pessoas) no ano. Destes, 18,9 milhões não tem sequer CNPJ.
Dos 5,54 milhões de trabalhadores domésticos, 4,2 não têm carteira assinada.
A PNAD também destaca que a taxa composta de subutilização manteve-se em 13,9%, mais uma vez, a menor da série. Os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas recuaram para 4,572 milhões, o menor contingente desde o trimestre encerrado em abril de 2016. Já a população desalentada chegou em 2,647 milhões.
A massa de rendimento médio real bateu novo recorde, chegando a R$ 357,3 bilhões com estabilidade no trimestre e alta de 5,0% (mais R$ 16,9 bilhões) no ano. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos foi recorde (R$ 3.528), ficando estatisticamente estável no trimestre e crescendo 3,9% no ano.
Na comparação trimestral, apenas uma categoria de ocupação teve aumento no rendimento: Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (3,9%, ou mais R$ 190). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.










