Isso aconteceu em Jerusalém, minutos antes do início de uma peça musical infantil denominada “Sonhos Sob a Oliveira”
Em matéria publicada pelo jornal Haaretz, a articulista israelense palestina, Hanin Majadli, em artigo intitulado “Trauma sob Oliveira”, conta a invasão policial israelense, minutos antes do início de uma apresentação infantil de uma peça musical denominada “Sonhos Sob a Oliveira”.
A invasão foi determinada pelo ministro de Segurança de Israel, o fascista Itamar Ben-Gvir:
“Eu vi as imagens da violenta e francamente fascista invasão policial ao Teatro El- Hakawati”, diz Majadli em seu artigo.
Nas imagens filmadas podemos ver “crianças lindas e animadas, vestidas com fantasias, prendendo a respiração enquanto se preparam para subir ao palco”, prossegue.
Veja os dois vídeos a seguir, com filmagens do isralense Nir Hasson. O primeiro mostra um policial ameaçando o diretor e exigindo “todos fora em 5 minutos”. O segundo mostra a reação das crianças ao ataque policial:
CAPANGAS DE GVIR
“De repente”, denuncia, “a gangue de capangas de Itamar Ben-Gvir invade o local gritando, como se tivessem descoberto o esconderijo de uma ‘célula terrorista’”.
Em seu depoimento emocionado, a articulista comenta que “em seu mundo distorcido, essas crianças são ‘pequenos terroristas’, então a crueldade da polícia é apropriada à situação, como uma luva na mão, natural e justificada. ‘Estão ouvindo o que eu estou dizendo? Estão ouvindo? Cinco minutos – todos fora daqui!’, gritam eles, e com isso, o mundo virou de cabeça para baixo”.
“Perseguiam crianças de 5, 7 e 10 anos vestidas com fantasias de uma peça que jamais será encenada. Ela foi engolida pelo drama muito mais sombrio do fascismo israelense”, enfatiza a jornalista.
“Esse momento quase certamente marcará o primeiro trauma pessoal que as crianças vivenciarão nas mãos de Israel e dos israelenses. Elas não precisarão de livros didáticos para gravar em seus corações quem as assusta”, afirma Majadli.
“Os israelenses sempre alegaram – e essa era uma das principais alegações contra os palestinos – que as escolas palestinas “ensinam o ódio” ao Estado de Israel e aos israelenses. Mas as verdadeiras lições vêm da escola da vida: os policiais que gritam com seus pais, os soldados que atiram em seus irmãos , o Estado que envia seus agentes para destruir um pequeno sonho justamente quando ele está prestes a se realizar em um palco em Jerusalém Oriental”.
PROJETANDO SEU NAZISMO
“Não posso deixar de relacionar o incidente das crianças assustadas no teatro em Jerusalém Oriental a um vídeo divulgado há alguns dias, no qual Yotam Zimri e Gadi Taub conversam com uma seriedade deplorável sobre como nem mesmo a ‘desnazificação’ ajudará a resolver a situação com os palestinos. É assim que eles nos veem”.
“Essa é a profundidade com que essa desumanização se infiltrou. Os dois acreditam que estão revelando algo sobre os palestinos, a ‘nazificação’ dos palestinos, mas, na realidade, estão revelando sua própria fantasia sombria de ‘reeducar’ um povo inteiro”, diz Majadli em seu curto, mas impressionante depoimento.
“Se os israelenses insistem em viver nessa fantasia de desnazificação, deveriam se perguntar por que ela deveria ser usada contra a vítima. Afinal, a desnazificação é para quem comete o crime, não para a vítima. Mas num país que há anos confunde vítima com agressor, essa lógica soa tão natural quanto tratar crianças pequenas como se fossem células terroristas”, conclui Majadli.











