“Prefiro andar sozinho do que mal acompanhado com Bolsonaro”, diz deputado e pastor

Pastor evangélico e deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) (Foto: Kayo Magalhães - Câmara dos Deputados)

“Arrependo-me quando gritei “mito” no lugar onde só deveria cultuar o Senhor”, disse Otoni de Paula (MDB-RJ) em discurso na Câmara

O deputado e pastor evangélico Otoni de Paula (MDB-RJ) disse que se envergonha e que “parecia um louco” quando apoiava o ex-presidente Jair Bolsonaro e suas “pautas delirantes”. “Arrependo-me quando gritei “mito” no lugar onde só deveria cultuar o Senhor”, falou.

Em discurso feito na Câmara dos Deputados na quarta-feira (26), Otoni de Paula contou que agora prefere “andar sozinho a mal acompanhado”.

“Parecia um louco, que acha que tudo se resolve na bala e no tiro. Em vez de ficar ao lado da Justiça, preguei que bandido tem que morrer mesmo. Em vez de denunciar o pecado do racismo, preferi dizer que racismo não existe na minha nação. Em vez de ser a favor da equidade, resolvi ser a favor da tal meritocracia. Como se filho de pobre pudesse concorrer com o do rico”

O pastor, que foi vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, admite que quando olha para seus atos em apoio a Jair percebe que “não parecia ali um pastor”.

“Parecia um louco, que acha que tudo se resolve na bala e no tiro. Em vez de ficar ao lado da Justiça, preguei que bandido tem que morrer mesmo. Em vez de denunciar o pecado do racismo, preferi dizer que racismo não existe na minha nação. Em vez de ser a favor da equidade, resolvi ser a favor da tal meritocracia. Como se filho de pobre pudesse concorrer com o do rico”, acrescentou em entrevista à revista Veja.

O parlamentar faz uma avaliação crítica da dependência que a direita tem da figura de Jair Bolsonaro e afirma que agora busca “ser uma voz sensata na direita”.

“Enquanto estivermos colados ao extremismo do bolsonarismo, nós vamos perder. Estou tentando, então, fazer dois movimentos: um de libertação da igreja, para que volte ao seu papel, e outro de mostrar que a direita é maior que o bolsonarismo, assim como o conservadorismo é maior que a direita”, disse.

Segundo Otoni, os bolsonaristas agem com blefes e ficam presos a “pautas delirantes”. Ele citou a anistia, que buscaria tirar Bolsonaro da prisão, e o apoio às sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.

“As pessoas achavam que Trump iria dar visto a Bolsonaro e nomeá-lo a algum cargo na embaixada. São mentiras em cima de mentiras, e o povo está cansado disso”, apontou.

“Não estamos entregando nada de importante para o Brasil enquanto oposição”, avalia.

Otoni de Paula já vem se afastando do bolsonarismo desde as eleições municipais de 2024, quando apoiou Eduardo Paes (PSD) para a Prefeitura do Rio, ao invés de Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ramagem, que foi chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado por tentativa de golpe e fugiu para os Estados Unidos.

O pastor também disputou o comando da Frente Parlamentar Evangélica contra o nome apoiado pelos bolsonaristas, Gilberto Nascimento (PSD-SP), mas foi derrotado.

Otoni ainda criticou a chacina cometida pelas polícias do Rio de Janeiro no Complexo da Penha, que culminou na morte de 122 pessoas, afirmando que inocentes foram mortos na operação. Por isso, passou a ser atacado e chamado de “comunista” por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro.

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