Está na ordem do dia enterrar o neoliberalismo e toda a tralha racista, xenófoba e arrogante de Trump e seus lacaios
O governo brasileiro anunciou, em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida esta semana, que vai seguir avançando com ações de combate ao racismo no Brasil. Este mesmo racismo que surgiu nos porões do colonialismo europeu para saciar sua ganância inesgotável. Foram eles que inventaram a hedionda “superioridade de raça” para, com ela, escravizar os negros e melhor sangrar os povos do mundo.
As primeiras gerações nascidas no Brasil iniciaram desde cedo uma resistência hercúlea contra a espoliação colonial e a violência desumana do racismo e da escravidão. O povo brasileiro, em sua maioria mestiço, nunca compactuou com a ideologia supremacista dos colonizadores e de seus representantes internos. Com muita luta, as leis escravistas foram derrubadas, mas a ideologia do racismo ainda perdura, principalmente entre as elites submissas e colonizadas que seguiram e seguem infernizando os brasileiros.
O que vimos na época colonial foi o domínio total pela força bruta. A espoliação pura e simples dos mais fracos era feita pelos mais fortes. Marx chamou esse período de “acumulação primitiva do capitalismo”. Massacres, genocídios, invasões, escravização de povos, supremacismo, racismo, tudo em nome da busca, pelas elites comerciais e financeiras da época, de lucros cada vez maiores e mais devastadores. Continentes inteiros foram escravizados, suas riquezas foram saqueadas e seus povos massacrados.
Tudo isso prevaleceu por muito tempo, mas acabou sendo enterrado pela luta dos povos. Uma grande contribuição neste sentido foi dada pela primeira revolução socialista do mundo, ocorrida na Rússia, em 1917. O mundo conheceu, com o primeiro Estado dos trabalhadores, o verdadeiro humanismo e o progresso econômico e social acelerados. Mas, atualmente, em seus estertores, o imperialismo, fase apodrecida do capitalismo, tenta trazer de volta toda a barbárie que foi enterrada no passado.
O neocolonialismo, encabeçado pelo decadente regime norte-americano, está buscando trazer de volta a ideologia da selva, a ideologia do direito ao assalto dos mais fracos pelos mais fortes. É exatamente isso o que está representando a atual arrogância de Donald Trump contra o mundo e, particularmente, contra o povo da Venezuela. Sua humilhação ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca foi uma cena explícita de racismo. A arrogância extremada de Trump, no entanto, apesar das aparências, revela mais a sua fraqueza do que a suposta força que ele busca aparentar.
Em crise e acossado pelo avanço do campo anti-imperialista e da China, que constrói o socialismo e une o resto do mundo através dos BRICS (grupo dos principais países do Sul Global), o regime dos EUA só vê uma saída: intensificar o roubo dos povos. O episódio das ameaças à Venezuela só revela isso, que ele está de olho na maior reserva de petróleo do mundo. O país caribenho detém a maior reserva petrolífera do planeta e quer usá-la para o seu desenvolvimento. É por isso que Trump quer invadir a Venezuela. Para roubar o seu petróleo.
As elites apodrecidas dos EUA sabem que o seu domínio unipolar do mundo está com os dias contados. Eles sabem que não têm mais a força que já tiveram no passado. Sem conseguir conter ou derrotar a Rússia e a China, principais líderes do Sul Global, eles estão ameaçando barbarizar contra aqueles países considerados mais fracos. Agredir cinicamente o governo e o povo da Venezuela, com o ridículo disfarce de combate ao narcotráfico, só demostra o caráter covarde e decadente dos ocupantes da Casa Branca.
O pretexto para roubar o petróleo venezuelano deixa a nu que Trump é simplesmente um ladrão, um assaltante e nada mais. O que ele está tentando fazer é ressuscitar o mesmo colonialismo que citamos acima e que lançou mão da “tese” de superioridade de raça para roubar e escravizar os povos do mundo. Trump trata o Sul Global como sub-raça e inventa o tal “narcoterrorismo” única e exclusivamente para assaltar as suas riquezas.
Tanto o Brasil quanto o resto do mundo não estão caindo nessa conversa e estão dando mostras de que não aceitarão a volta da barbárie supremacista. O regime em decomposição de Trump está se desmoralizando como um regime racista, xenófobo e supremacista. O fascismo trumpista está se isolando no mundo. O roubo puro e simples dos povos tem cada vez menos espaço no planeta. No Brasil o único setor que bajula Trump abertamente é o bolsonarismo, que como todo fascismo da periferia, é invertebrado e servil a qualquer chefete de império.
O Sul Global está mais forte e unido do que nunca e não está disposto a deixar que essa barbárie ressurja no mundo. O núcleo central do BRICS, formado por Rússia e China, está determinado a liderar o planeta contra a loucura neocolonial. Parece estar determinado também a abrir caminho para um mundo multipolar mais justo, mais igualitário e mais fraterno.
O Brasil pode e deve seguir por esse mesmo rumo. Pode romper com a dominação norte-americana e seguir o seu próprio caminho. A crise do império abre portas neste sentido. Libertar o Brasil será um grande passo não só para acabar com a miséria e o atraso social como também para enterrar de vez o racismo no país. A compreensão profunda da ligação umbilical entre o colonialismo e o imperialismo com o racismo é fundamental para a avançar na libertação completa da sociedade. A luta antirracista está imbricada como nunca com a luta contra o imperialismo e a sua face neocolonial, o neoliberalismo.
SÉRGIO CRUZ











