Área econômica do governo reduz projeção do salário mínimo de 2026

Salário mínimo mal dá para pagar o transporte do trabalhador (Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil)

Salário mínimo do Brasil é o segundo pior da América Latina (16 países), só ganha da Nicarágua

O governo federal decidiu reduzir a projeção do salário mínimo de 2026, de R$ 1.631 para R$ 1.627.

Segundo um documento enviado pelo Ministério do Planejamento ao Congresso Nacional, a expectativa é que a inflação deste ano fique abaixo da previsão inicial que consta na proposta do Orçamento para o próximo ano, já em análise pelo legislativo. Os parlamentares ainda podem realizar alterações na proposta.

No caso de confirmação da nova projeção do governo, o novo valor representará um aumento de 7,18% em relação ao piso atual, que é R$ 1.518.

Essa proposta de valorização do piso salarial é completamente aquém das necessidades dos trabalhadores e aposentados, que amargam ao longo da última década arrochos sobre seus rendimentos e que perdem o poder de compra para as despesas do dia a dia, como as contas de energia, água, internet, aluguel, alimentação etc.

Quando comparado com outros países latino-americanos, o Brasil tem o pior salário mínimo entre seus pares, o que é vergonhoso para um país que tem uma das economias mais desenvolvidas da América latina. De 16 países da região, o Brasil está em 15º como o pior salário mínimo, só ganha da Nicarágua.

Portal mexicano El CEO, com base em números da Comissão Nacional de Salários Mínimos do México (CONASAMI)

Nas projeções atualizadas pela área econômica do governo Lula, ainda, para 2027, o piso nacional seria de R$ 1.721 (antes estava em R$ 1.725), e de R$ 1.819 em 2028 (anteriormente era R$ 1.823) e, para 2019, de R$ 1.903 (abaixo dos R$ 1.908 iniciais).  

Pelas regras atuais, o reajuste do piso salarial é composto pela projeção esperada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulado em 12 meses até novembro de 2025, e pela nova regra do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aprovada no fim do ano passado, que limita o crescimento do salário mínimo a 2,5% (ganho real) acima da inflação do ano anterior – amarrando a política de valorização do piso ao arcabouço fiscal. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,4%. Ou seja, se não fosse esse limite, o ganho real seria maior. 

Portanto, é urgente que essa proposta sofra alterações para valores mais acertados, por decisão política do presidente Lula ou do próprio Congresso, para a melhora das condições de vida do povo.

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