“Parem o massacre em Gaza”, exigem milhares de manifestantes nas ruas de Paris

Desde a assinatura do acordo de cessar-fogo em Gaza, Israel comete violações diárias, alertam os franceses (AFP)

Dezenas de milhares de pessoas se manifestaram em Paris no sábado (29), marchando desde a Praça da República até a Praça da Nação, entoando cânticos como “De Paris a Gaza, resistência!” e “Gaza, Gaza, Paris está com vocês!” , agitando bandeiras palestinas e cartazes com os dizeres “Palestina, não nos calaremos”“Gaza, o silêncio mata. Parem o genocídio “. Diversas personalidades políticas, incluindo Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, estavam entre os manifestantes.

Sete semanas após a entrada em vigor do cessar-fogo em 10 de outubro, “é preciso lembrar que nada está resolvido”, disse à AFP Anne Tuaillon, presidente da Associação França-Palestina Solidariedade (AFPS), uma das 80 ONGs, (Anistia Internacional, Cimade, Attac, etc.), partidos políticos (França Insubmissa, Ecologistas, PCF, etc.) e sindicatos (CGT, Solidaires, FSU, etc.) que convocaram as manifestações. 

ISRAEL VIOLA O CESSAR-FOGO TODOS OS DIAS

“O cessar-fogo é uma cortina de fumaça (…). Israel o viola diariamente, continua impedindo a entrada de ajuda humanitária em Gaza e continua destruindo infraestrutura e casas na Faixa de Gaza. Exigimos um cessar-fogo definitivo e o fim do genocídio”, acrescentou.

Nos termos do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, o exército israelense recuou para o interior da Faixa de Gaza, além de uma “linha amarela” que ainda lhe garante o controle de mais de 50% do território. Mas a trégua nesta guerra assinada no começo de outubro no Egito permanece sendo violada pelo governo genocida de Benjamin Netanyahu diariamente.

O número de pessoas que morreram na Faixa de Gaza nos ataques que começaram em outubro de 2023 subiu para 70.100 informou o Ministério da Saúde palestino neste sábado (29).

Indicou ainda que, desde o cessar-fogo, que teria que ter entrado em vigor em 10 de outubro último, 354 palestinos foram mortos por disparos israelenses.

VIOLÊNCIA NA CISJORDÂNIA “ATINGIU NÍVEIS SEM PRECEDENTES”

  “As sanções são necessárias; é a única maneira de forçar Israel a cumprir o direito internacional ”, afirma Anne Tuaillon, denunciando a “aceleração inacreditável da atividade de assentamentos” na Cisjordânia, bem como a violência dos colonos que “atingiu níveis sem precedentes ”.

Bertrand, um técnico de informática de 42 anos, também acredita que “o massacre e o genocídio continuam”, como evidenciado, segundo ele, pelos vídeos de dois homens mortos na quinta-feira durante uma operação conjunta da polícia e do exército israelenses em Jenin. A ONU pediu uma investigação após essa “aparente execução sumária”, informou a TV5 Monde.

Na ausência de sanções econômicas e financeiras, “devemos continuar a exercer pressão nas ruas e por meio de autoridades eleitas”, acredita ele.

O SUDOESTE DO PAÍS TAMBÉM SE MOBILIZOU

No sudoeste da França, milhares de pessoas também se mobilizaram em apoio à causa palestina. Na região da Dordonha,  centenas de pessoas se reuniram em frente ao tribunal de Périgueux. No departamento da Gironda manifestantes participaram de uma marcha, em sintonia com a manifestação nacional realizada em Paris. Em Bordéus, teve lugar a 110ª manifestação organizada pelo Comitê de Ação Palestina que começou na Praça da Vitória, antes de seguir pela avenida Cours Victor-Hugo.

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