Com quedas na indústria e serviços, atividade econômica cai 0,2% em outubro, segundo BC

Foto: Iano Andrade/Agência CNI

Indústria caiu 0,7% e Serviços recuou 0,2%, atingidos pelos juros elevados. Foi a segunda queda consecutiva na “prévia do PIB”

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), calculado pelo Banco Central (BC), aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil retraiu -0,2% em outubro deste ano frente a setembro, mês que o indicador de prévia do PIB também caiu 0,2%, na comparação com o mês anterior. Os dados do IBC-Br foram divulgados nesta segunda-feira (15) pela autarquia. 

Os principais setores da economia também assinalaram taxas negativas no décimo mês deste ano: Indústria (-0,7%) e Serviços (-0,2%). A Agropecuária cresceu 3,1% na base mensal. 

Nos primeiros 10 meses deste ano, o IBC-Br está 2,4% em alta na comparação com o mesmo período de 2024. Em 12 meses (até outubro), acumula alta de 2,5%, o que é uma desaceleração quando comparado com o período até setembro (3%). 

O resfriamento da economia brasileira ocorre com o aumento do juro real (descontado a inflação), que deve encerrar esse ano acima dos 10,5%, após a decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% – maior nível em quase 20 anos –  mesmo com a inflação controlada e abaixo dos 4,5%. 

Após a decisão do BC, de manter o juro em 15%, entidades do setor produtivo defenderam a imediata redução dos juros.

“A manutenção dos juros nesse patamar tão elevado é excessiva e prejudicial, uma vez que intensifica a perda de ritmo da atividade econômica, encarece muito o crédito, inibe o investimento e penaliza a competitividade da indústria”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Em nota, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, manifestou que a continuidade do crescimento do setor no próximo ano depende da queda dos juros o mais rápido possível.

Nesta segunda, o BC também divulgou que os “analistas de mercado” voltaram a realizar cortes nas estimativas de inflação de 2025, reduzindo o ponto médio das projeções de 4,40% para 4,36%. De janeiro a dezembro deste ano, o indicador oficial de inflação (IPCA) acumula alta de 3,92%. 

Com o nível da Selic desestimulando os investimentos produtivos em prol das aplicações financeiras (ou seja, a favor do lucro dos banqueiros), o Produto Interno Bruto brasileiro estagnou no terceiro trimestre deste ano, ao variar apenas 0,1% ante o segundo trimestre (0,3%). No primeiro trimestre de 2024, a economia cresceu 1,5% graças aos resultados das safras agropecuárias.

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