Uma publicação do Centro de Economia Política da Argentina (CEPA) desmentiu o propalado “sucesso” da política econômica ultra liberal do presidente do país, Javier Milei.
O relatório do CEPA levantou problemas de confiança quanto a credibilidade da medição dos índices de pobreza e atividade econômica na Argentina como apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) desde que Milei assumiu o governo argentino em dezembro de 2023.
A inflação segundo os cálculos do CEPA, com os indicadores atualizados, seria de 288,2%. Se comparado com os 249,5% de inflação calculados com a metodologia do governo de Milei, apresenta uma aumento de 38,7%, uma discrepância que também foi percebida até pelo FMI, que comunicou ao governo argentino para que façam uma correção na metodologia do INDEC.
Sobre a medição da pobreza, o CEPA destacou que o governo de Milei fez uma distorção da sua interpretação. Um dos principais indicadores de miséria na Argentina, a Cesta Básica Total (Canasta Básica Total, CBT), apresentou um aumento percentual maior do que em cálculos anteriores, ou seja, a miséria na Argentina aumentou, e que o INDEC teria subestimado os indicadores de serviços.
O INDEC é um órgão público do governo federal argentino, originalmente de caráter técnico, exerce a função principal de atividades de estatísticas oficiais que formam uma base para o governo argentino tomar decisões de políticas econômicas, como a alocação de recursos para políticas públicas e benefícios sociais.
Agora sob a gestão de Milei, o INDEC está sendo alvo de críticas de setores acadêmicos e da sociedade civil do país quanto a modificações na metodologia imposta pelo governo federal argentino, a partir do final de 2023, para a coleta de dados nacionais.
O relatório divulgado pelo CEPA em dezembro de 2025, repercutiu na imprensa argentina e apontou controvérsias quanto à metodologia utilizada para a medição de indicadores econômicos como o salários, inflação, medição da pobreza, estatísticas sobre o turismo no país e atividades econômicas.
Sobre os salários do povo argentino, o relatório destacou que entre dezembro de 2023 – quando Milei assumiu o governo – e maio de 2025, os salários não registrados tiveram o crescimento súbito de 27,2% em termos reais, e que isso seria um fenômeno desacoplado dos demais indicadores econômicos.
De acordo com o CEPA, esse aumento súbito se deve a mudanças na Pesquisa Permanente de Domicílios (Encuesta Permanente de Hogares, EPH), que permitiu uma maior captura de dados sobre renda não trabalhista, como benefícios financeiros vindos de programas sociais como auxilio alimentação, pensões não contributivas e o programa de apoio para estudantes, Progressar.
O relatório do CEPA criticou o INDEC por não especificar como essas mudanças metodológicas impactaram a comparabilidade histórica dos dados e que essa falta de clareza gera incerteza sobre os resultados oficiais da medição da pobreza e da renda na Argentina.
INFLAÇÃO MASCARADA
O relatório também critica os indicadores utilizados para o cálculo da inflação. Segundo o CEPA, os dados estariam desatualizados, eles disseram que há novos indicadores que poderiam atualizar esses índices com maior precisão e que se fossem atualizados hoje, a inflação acumulada entre novembro de 2023 até novembro de 2025 seria muito maior do que foi oficialmente divulgado pelo governo de Milei.
A medição sobre o turismo no país apresentado pelo INDEC também foi alvo de criticas pela decisão do governo de Milei em não renovar em outubro de 2024, o acordo do INDEC para realizar a Pesquisa Internacional de Turismo e a Pesquisa de Ocupação Hoteleira. Segundo o relatório, o número de turistas estrangeiros na Argentina apresentou uma queda de 5,9% e uma perda no saldo turístico de 365 milhões de dólares.
Sobre as atividades econômicas, o CEPA apontou que o governo argentino fez em setembro de 2025, ajustes fora do normal no índice que calcula o crescimento do PIB na Argentina, o Estimador Mensal de Atividade Econômica. De acordo com o CEPA, esse índice apresentou recuperação que foi impulsionada artificialmente pelo setor financeiro, escondendo a queda na indústria e na construção para reforçar uma narrativa de que a Argentina não está em recessão.
O relatório mostra que se excluídas as distorções feitas pelo governo de Milei, a atividade econômica do país no período de setembro de 2025 foi a mesma de novembro de 2023, mostrando uma desaceleração na economia argentina.











