Prejuízo pode ser maior, porque cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master oferecidos ao BRB não possuem liquidez, avaliam os investigadores
O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, revelou que o banco público do Distrito Federal, governado por Ibaneis Rocha, não conseguiu recuperar R$ 2 bilhões investidos no Banco Master.
A declaração foi feita em acareação entre ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (30/12).
A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.
O BRB aportou R$ 12,2 bilhões no Banco Master para a compra de carteiras de crédito consignado, falsificadas.
As apurações apontaram que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu ao grupo Master cerca de R$ 16,7 bilhões. Desse total, R$ 12,2 bilhões foram transferidos em operações com indícios de fraude.
Paulo Henrique Costa afirmou à PF que, quando a Operação Compliance Zero foi deflagrada, o BRB já havia conseguido substituir cerca de R$ 10 bilhões dessas falsas carteiras de crédito consignado por outros ativos do Banco Master, mas ainda não havia recuperado cerca de R$ 2 bilhões.
A informação indica que o BRB ainda corre risco de tomar prejuízo por causa dos aportes de R$ 12,2 bilhões no Master, que são o objetivo da investigação da Operação Compliance Zero.
Percebe-se nas declarações de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro uma tentativa de culpar a operação da Polícia Federal e a liquidação do banco pelo Banco Central de terem impedido o processo de recuperação total do dinheiro enterrado no Master. Um diversionismo para tentar nublar o principal: que os títulos eram fraudulentos. Não fossem a operação da PF e ação do BC, a fraude estaria encoberta até hoje, com a compra do Master pelo BRB.
De acordo com Paulo Henrique Costa, o Master ofereceu garantias de R$ 9 bilhões enquanto o BRB não finalizava a substituição desses R$ 2 bilhões em ativos.
Contudo, os investigadores avaliam que o potencial prejuízo ao BRB ainda pode ser maior, porque cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master oferecidos ao BRB não possuem liquidez, ou seja, são frios, inegociáveis.
A acareação foi realizada pela delegada da Polícia Federal, Janaína Palazzo, durou apenas meia hora, após nove horas de colheita dos depoimentos deles. O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, também havia sido ouvido, mas foi dispensado de participar da acareação.
A delegada confrontou as informações de Vorcaro e Paulo Henrique Costa sobre esse procedimento de substituição das carteiras.
INVESTIGAÇÕES
As investigações sobre o Banco Master iniciaram em 2024, após requisição do Ministério Público Federal (MPF) para apurar a fabricação de carteiras de crédito falsas.
As apurações mostraram que esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
O BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio, brecando o processo de venda do banco para o BRB que havia sido anunciado no dia anterior.
Em decisão da Justiça Federal, o juiz Ricardo Leite cita a hipótese de que, para salvar o Banco Master de uma “crise de liquidez” o BRB teria adotado “procedimentos escusos” e atuado com “pura camaradagem”.
“A substituição entre os créditos BRB-Master ocorreu por pura camaradagem, em desacordo com a formalidade do instrumento contratual firmado, mas como tentativa de abafar a fiscalização das operações e preocupações dela decorrentes”, diz o magistrado na decisão que autorizou a operação da PF.
Segundo a investigação, os dirigentes do BRB tinham consciência da existência de um esquema de fraudes tramado pela cúpula do Banco Master, que ocasionou prejuízos ao Sistema Financeiro Nacional.
E mesmo assim o governo do DF autorizou a compra do Banco Master.
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