Presidente do Irã diz que “demandas são legítimas” e que “a solução cabe aos iranianos”

Colagem com Masoud Pezeshkian, presidente iraniano e uma manifestacao. (Fotos: Fars via AP e Gettymaages.ru)

Em meio à onda de protestos que eclodiu nos últimos dias em diversas províncias do Irã, bem como em Teerã, a capital do país, devido à tensa situação econômica que a nação atravessa com a desvalorização da moeda nacional, o governo do presidente da República Islâmica, Masoud Pezeshkian, manifestou sua disposição de negociar com os manifestantes e também anunciou que estão sendo preparadas reformas nos setores bancário e financeiro do país.

O governo tentou enviar mensagens tranquilizadoras, reconhecendo as “demandas legítimas” decorrentes das dificuldades econômicas.

“Segundo o Alcorão, se não resolvermos os problemas do povo, iremos para o inferno”, declarou o presidente iraniano na quinta-feira (1), conforme citado pela agência de notícias Tasnim. Nesse contexto, Pezeshkian pediu que se encontre uma solução por todos os meios possíveis e “com assistência mútua” entre o Executivo e o Parlamento.

O presidente afirmou que, se as autoridades iranianas tomarem as decisões corretas, os problemas poderão ser resolvidos. “Estamos na pior situação possível, o que significa que tudo se acumulou e está vindo em nossa direção”, observou. “Eles, nossos inimigos, pensam que o Irã enfraqueceu; nós só precisamos acordar e entender como estamos lidando com as coisas”, acrescentou o presidente da nação persa, referindo-se aos protestos que começaram no centro de Teerã devido à queda acentuada da moeda nacional iraniana.

“SOMOS NÓS QUE DEVEMOS ENCONTRAR UMA SOLUÇÃO”

“Se as pessoas estão insatisfeitas, não devem olhar para os EUA nem para ninguém. A culpa é nossa. Somos nós que devemos tentar, somos nós que devemos encontrar o caminho e a direção certos, somos nós que devemos encontrar uma solução”, afirmou Pezeshkian, observando que o Irã consome atualmente seis vezes mais eletricidade do que qualquer país da Europa por conta de políticas sem controle estatal.

Os protestos começaram no domingo (28) em Teerã, onde os lojistas fecharam suas lojas em protesto contra a inflação, a desvalorização da moeda e a estagnação econômica, antes de se espalharem para universidades e várias outras regiões do país.

A República Islâmica sofre há anos com aumentos descontrolados nos preços de produtos básicos e com a desvalorização crônica de sua moeda. Em dezembro, os preços aumentaram em média 52% em relação ao ano anterior, de acordo com o Centro de Estatísticas.

Segundo informações, pelo menos 7 pessoas morreram em decorrência de confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

INTERFERÊNCIA DOS EUA EQUIVALE AO CAOS NA REGIÃO

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, em resposta às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de apoiar os manifestantes no país, afirmou que a interferência dos EUA nos assuntos internos do Irã equivale a desestabilizar todo o Oriente Médio e levará ao esmagamento dos próprios interesses de Washington na região.

“Consideramos as posições dos comerciantes que protestam separadas das dos elementos destrutivos, e Trump deveria saber que a interferência americana nessa questão interna equivale ao caos em toda a região e à destruição dos interesses americanos”, escreveu o oficial de segurança iraniano em sua conta na plataforma de mídia social X. “O povo americano deve saber que Trump busca essa aventura. Devem estar atentos à segurança de seus soldados”, acrescentou.

A mensagem é uma resposta a uma publicação feita por Trump na sexta-feira (2), na qual ele expressou sua disposição de interferir de novo no país persa, usando agora como pretexto o seu suposto apoio aos manifestantes.

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