Manifestantes nos EUA repudiam ICE de Trump, a malta dos assassinos de Renne Good

Minneapolis exige: "prendam assassinos do ICE" e "Deportem os Nazis, não os vizinhos". (Etienne Laurent/AFP)

Os protestos se espalharam por Minneapolis, Filadélfia, Nova Iorque, Washington, Boston, entre outras

Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas dos Estados Unidos, neste sábado (10), em repúdio ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), depois que um agente dessa polícia fascista de Trump matou a tiros Renee Nicole Good, de 37 anos, mãe de três filhos. O assassinato a sangue frio aconteceu na quarta-feira (7) durante uma batida contra imigrantes em Minneapolis.

A multidão estimada em dezenas de milhares de pessoas pelo Departamento de Polícia de Minneapolis, naquele que foi o quarto dia consecutivo de protestos contra a morte de Renee, saiu às ruas com imagens da vítima, cartazes contra Trump e outros a exigir o fim das operações dos agentes federais na cidade, desafiando o frio de 7 graus negativos durante uma concentração em um parque próximo do lugar da tragédia.

“O ICE mata. São fascistas. São assassinos. Invadiram a nossa cidade”, foram as consignas da concentração.

“Estamos aqui para protestar contra as violações dos direitos humanos que este governo está cometendo, o tratamento desumano das pessoas e o assassinato de Renee Good”, disse à agência EFE Kelly Joyce, uma residente de Minneapolis, de 65 anos.

“QUEREMOS JUSTIÇA E RESPEITO”

“Queremos justiça e queremos respeito. Queremos que esta administração pare com a retórica contra os imigrantes. Não somos criminosos. A cor da nossa pele ou o fato de falarmos espanhol não significa que sejamos criminosos”, disse Daniel, de 45 anos, residente em Minneapolis e de origem mexicana.

Minneapolis cobra: “ICE fora daqui”(AFP)

“Estou extremamente irritada, completamente de coração partido e devastada, e ao mesmo tempo ansiando e esperando que as coisas melhorem”, disse Ellison Montgomery, uma manifestante de 30 anos, à Reuters.

“Ninguém está pondo freio ao governo Trump, que agora está assassinando cidadãos e roubando, sequestrando seres humanos. É hora de deter isso”, disse à AFP Drew Lenzmeier, de 30 anos, no protesto em Minneapolis.

Autoridades de Minnesota consideraram o tiroteio injustificado, apontando para um vídeo gravado por um espectador que mostra o veículo da cidadã norte-americana se afastando do agente no momento em que ele atirou. O Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), sustenta de forma injustificável que o agente agiu em legítima defesa, pois Renee Good, voluntária em uma rede comunitária que monitora e registra as operações do ICE em Minneapolis, teria dirigido na direção do agente que atirou nela, depois que outro agente se aproximou do lado do motorista e ordenou que ela saísse do carro. As imagens divulgadas não confirmam a versão do ICE e de Trump. Pelo contrário. Renne se dirigiu no sentido de afastar-se dos dois policiais que queriam arrancá-la de dentro do seu veículo.

NOVA YORK: “NÃO ÀS GUERRAS! NÃO AO ICE”

“Não às guerras! Não aos reis! Não ao ICE!”, apontou a convocação ao protesto em Nova York, onde centenas de pessoas se uniram à condenação dos ataques de agentes federais aos imigrantes e das execuções extrajudiciais promovidas pelo governo com a chamada Operação Lança do Sul no Caribe, que já deixou mais de cem mortos.

Em Washington, a manifestação ocorreu em frente à Casa Branca, exigindo o fim dos ataques contra imigrantes e condenando a violência contínua dos agentes do ICE.

Na Filadélfia, manifestantes marcharam sob chuva desde a prefeitura até os escritórios do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).

“O único princípio que nos une é a igualdade perante a lei. É no que acredito profundamente e é precisamente o que acredito que Trump viola constantemente. É inaceitável”, disse Bill Torcaso que participou do protesto em Boston.

PARTICIPAÇÃO DE PARLAMENTARES É PROIBIDA

Três parlamentares democratas de Minnesota compareceram a uma sede regional do ICE onde operam agentes de imigração perto de Minneapolis na manhã de sábado (10), onde manifestantes entraram em confronto com agentes federais esta semana, mas tiveram o acesso negado. As legisladoras consideraram a recusa ilegal.

“Deixamos claro para o ICE e o DHS que eles estavam violando a lei federal, o que aconteceu hoje é uma tentativa flagrante de impedir que membros do Congresso exerçam sua missão de controle”, disse a deputada Angie Craig a repórteres enquanto estava em frente ao Edifício Federal Whipple em St. Paul com as representantes Kelly Morrison e Ilhan Omar.

A lei federal proíbe o Departamento de Segurança Interna (DHS) de impedir a entrada de membros do Congresso em centros de detenção do ICE, mas o DHS tem restringido cada vez mais essas visitas de supervisão, provocando confrontos com parlamentares.

“É nossa obrigação, como membros do Congresso, garantir que os detidos sejam tratados com humanidade, porque somos os malditos Estados Unidos da América”, assinalou Craig.

A Casa Branca insiste em que as imagens reforçam o argumento de legítima defesa. Mas, desde a quarta-feira, circularam vídeos feitos por testemunhas que mostram que o agente não estaria em perigo e mostram Renee Good tentando evitá-lo.

Na noite de sexta-feira, centenas de pessoas realizaram manifestações diante de hotéis em Minneapolis, onde se acredita que agentes do ICE estejam hospedados. Vinte e nove pessoas foram detidas, multadas e depois rapidamente liberadas, indicou a polícia da cidade.

Funcionários e residentes do estado de Minnesota questionam o fato de as autoridades locais terem sido excluídas da investigação do FBI sobre a morte de Renee Good.

De acordo com o The Trace, um veículo especializado em violência armada, Renee é a quarta pessoa morta por agentes de imigração desde que Trump lançou sua política de deportação.

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