Irmãos e primo de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado à rede usada pelo Master em fraudes

Dias Toffoli se tornou relator do caso Master no STF (Fotos: Rovena Rosa - Agência Brasil - Rosinei Coutinho - STF)

Documentos revelam que fundo conectado à teia de fraudes bilionárias investigadas no Banco Master integrou sociedades empresariais de familiares do ministro do STF, relator do caso

Empresas pertencentes a irmãos e também a primo do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, tiveram, até meados de 2025, como sócio fundo de investimentos que integra, por meio de cadeia societária e financeira, a rede de fundos sob suspeita no escândalo do Banco Master.

Essa investigação apura fraudes estimadas em cerca de R$ 12 bilhões.

Os vínculos constam de registros oficiais, balanços financeiros e documentos societários analisados pelo jornal Folha de S.Paulo e surgem no momento em que Toffoli atua como relator do inquérito no STF, após a remessa do caso à Corte por alegação de foro privilegiado.

FUNDO ARLEEN E VÍNCULOS SOCIETÁRIOS

O Arleen Fundo de Investimentos, que não é investigado formalmente, manteve participação societária na Tayayá Administração e Participações, empresa responsável por resort em Ribeirão Claro (PR), que teve como sócios 2 irmãos do ministro.

O mesmo fundo também figurou como sócio da DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade, na qual atuava primo de Toffoli.

Os dados constam de registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e de documentos empresariais obtidos pela Folha. As participações foram encerradas antes do avanço público das investigações sobre o Banco Master.

CONEXÕES INDIRETAS COM O CASO MASTER

A ligação do Arleen com o caso Master ocorre de forma indireta, por meio da posição como cotista do RWM Plus, fundo que recebeu aportes do Maia 95, 1 dos 6 fundos apontados pelo Banco Central como integrantes da estrutura utilizada para inflar ativos e viabilizar operações fraudulentas ligadas ao Banco Master.

Segundo técnicos do BC, essa rede de fundos teria sido usada para mascarar prejuízos, simular lastro financeiro e viabilizar a venda de carteiras de crédito fictícias, parte delas negociadas com o BRB (Banco de Brasília), banco público do DF.

ESTRUTURA FINANCEIRA SOB SUSPEITA

Criado em 2021 e encerrado no fim de 2025, o Arleen possuía, no último balanço disponível, 4 investimentos ativos, incluindo as empresas ligadas aos familiares do ministro e cotas no RWM Plus.

A administração do fundo estava a cargo da Reag Investimentos, gestora que também aparece em outras frentes de investigação.

A Reag é alvo de apurações da PF (Polícia Federal), inclusive na Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas, além de seu papel na engrenagem financeira associada ao Banco Master.

TOFFOLI COMO RELATOR E QUESTIONAMENTOS PÚBLICOS

Dias Toffoli é o relator do inquérito do caso Master no STF, após a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro sustentar que a investigação deveria tramitar na Corte.

Desde então, decisões como a centralização do processo, a manutenção de sigilo amplo e a condução dos autos passaram a ser alvo de questionamentos por juristas, parlamentares e analistas do mercado financeiro.

Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam que não há, até o momento, indícios de ilegalidade envolvendo o ministro ou os familiares dele, mas avaliam que os vínculos revelados ampliam o debate sobre potenciais conflitos de interesse e a necessidade de transparência redobrada em casos de grande impacto institucional.

SILÊNCIO E REPERCUSSÃO

Procurado, Toffoli não se manifestou sobre as sociedades envolvendo familiares. Também não comentaram o caso os parentes citados, a Reag Investimentos nem representantes do Banco Master.

A revelação das conexões reforçou pressões por maior publicidade dos atos processuais, revisão do regime de sigilo e eventual discussão sobre impedimento ou suspeição, ainda que, do ponto de vista jurídico, os vínculos sejam considerados indiretos e anteriores à fase mais sensível da investigação.

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