Deputado PDT criticou a operação contra ele e disse em nota que o “papel do parlamentar sempre se limitou à apresentação de emendas, com o objetivo de assegurar recursos federais aos municípios que representa na Bahia”
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13), a nona fase da Operação Overclean para investigar desvio de dinheiro público em emendas parlamentares.
A PF fez buscas no apartamento do deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) em Brasília.
Félix foi localizado pela PF em uma fazenda na cidade de Entre Rios, no interior da Bahia. Ele foi alvo de busca pessoal e teve seu celular apreendido.
Os investigadores realizaram buscas no apartamento funcional do deputado em Brasília e no apartamento em Salvador. O segundo fica no luxuoso edifício Mansão Windberger, no bairro Corredor da Vitória, onde moram celebridades e jogadores de futebol.
O grupo destinou emendas parlamentares para as cidades de Boquira, Ibipitanga e Paratinga, todas na Bahia, entre 2021 e 2024, buscando desviar parte do dinheiro.
Em junho de 2025, Félix Mendonça Júnior teve seu sigilo telefônico quebrado por determinação do ministro Nunes Marques, do STF, no âmbito da investigação. Na época, um assessor do deputado também foi alvo da operação e foi afastado do cargo por suspeita de que ele era o operador financeiro do esquema.
A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal também atuaram na operação.
Segundo a PF, a Overclean tem o objetivo “de desarticular uma organização criminosa suspeita de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro”.
Na manhã desta terça, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. “O STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicos”, informou a Polícia Federal.
O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que soube da operação há pouco e ainda precisa se “informar sobre o caso” antes de comentar.
No começo da Operação Overclean, em dezembro de 2024, o alvo principal foi o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que chegou a ser preso. Ele se filiou ao União Brasil.
A PF avalia que o grupo suspeito fraudava licitações e contratos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), de prefeituras e governos estaduais para desviar dinheiro público vindo de emendas parlamentares. A corporação aponta que a organização criminosa pode ter desviado R$ 1,4 bilhão.
O deputado Dal Barreto (União-BA) teve seu celular apreendido e foi alvo de outra fase da Operação Overclean. O prefeito de Campo Formoso (BA), Elmo Nascimento, irmão do deputado Elmar Nascimento (União-BA), foi alvo junto com outros parentes, como o primo e vereador da cidade, Francisquinho Nascimento (União).
NOTA DE FÉLIX MENDONÇA
Em nota, o deputado federal Félix Mendonça Júnior disse que a operação da PF foi uma “surpresa” para ele. Ele criticou a “morosidade” das investigações da Polícia Federal contra ele, após ser alvo de uma nova operação hoje.
A defesa de Mendonça Jr. lembra que ele já havia sido objeto de uma operação em junho de 2025, que não encontrou “qualquer elemento contra o deputado”.
Ele afirma que tem “colaborado integralmente com as investigações”. Apesar disso, lamenta a lentidão dos trabalhos da PF. Segundo ele, a demora causa “prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral”. Por isso, defende que “a apuração ocorra de forma célere e responsável”.
“O papel do parlamentar sempre se limitou à apresentação de emendas, com o objetivo de assegurar recursos federais aos municípios que representa na Bahia”, diz o parlamentar na nota.
Leia a nota da PF na íntegra:
A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal do Brasil (RFB), deflagrou, nesta terça-feira (13/01), a nona fase da Operação Overclean, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na Bahia e no Distrito Federal.
O STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.











