Produção industrial paulista recua 0,6% em novembro, terceira queda consecutiva

(Foto: Isac Nóbrega/PR)

Para o Iedi, produção industrial brasileira em 2025 manteve um quadro de estagnação com a entrada de uma nova fase de juros elevados

O Estado de São Paulo apresentou um recuo na sua produção industrial de novembro de 0,6% sobre o mês outubro, na séria com ajuste sazonal. É a terceira taxa negativa seguida da indústria paulista, acumulando 2,9% de queda no período.

A situação da indústria de São Paulo com esse resultado é 2,8% inferior ao nível pré pandemia, determinado em fevereiro de 2020, e abaixo do patamar mais alto de produção, alcançado em março de 2011, no percentual de 23,8%. O desempenho negativo do maior parque industrial do país, cerca de 33%. ocorreu principalmente pelo desempenho negativo dos setores de indústrias extrativas e de derivados do petróleo e biocombustíveis.

Na comparação interanual (nov.25/nov.24), no acumulado do ano (jan. a nov.) e no acumulado dos últimos doze meses (dez. 24 a nov. 25/) São Paulo acumula taxas negativas de -4,7%; -2,4% e -2,4% respectivamente. Os resultado negativo de -4,7% na comparação interanual ficou bem abaixo dos -1,2% no desempenho nacional. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional do IBGE divulgada nesta quarta-feira (14).

A produção industrial brasileira ficou estagnada (0,0%) em novembro na comparação com outubro, com taxas negativas em 7 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o desempenho da indústria em 2025 “mudou de direção em 2025, interrompendo a aceleração verificada ao longo de 2024”.

“Fator decisivo para esta inflexão foi a entrada de uma nova fase de taxas elevadas de juros, ainda que não tenham faltado obstáculos adicionais, como o tarifaço dos EUA e eventos climáticos. Como temos observado, o fôlego curto dos períodos de expansão dificulta o processo de modernização do setor e retira potência de programas e estratégias industriais”, destacou o Iedi.

Os resultados negativos no mês de novembro foram registrados em Goiás (-6,4%), Amazonas (-2,8%), Ceará (-2,6%), Rio de Janeiro (-1,9%), Santa Catarina (-0,8%), São Paulo (-0,6%) e Pará (-0,5%).

Mato Grosso (7,2%) e Espírito Santo (4,4%) assinalaram as expansões mais acentuadas. Paraná (1,1%), Pernambuco (0,9%), Minas Gerais (0,9%), Bahia (0,9%), Rio Grande do Sul (0,6%) e Região Nordeste (0,1%) completam as oito regiões com taxas positivas.

Mato Grosso registrou o quarto resultado positivo seguido e avançou 16,9% nesse período. “O setor de produtos químicos se destaca como influência positiva no desempenho de crescimento da indústria mato-grossense nesse mês, o que lhe rendeu a taxa positiva mais intensa desde março de 2023, quando cresceu 8,2%”, destacou o analista da pesquisa, Bernardo Almeida.

O Espírito Santo (4,4%) eliminou o recuo de 1,4% registrado em outubro de 2025. “A indústria capixaba foi impulsionada pelos setores de metalurgia e de indústrias extrativas nesse mês, garantindo o primeiro lugar em termos de influência positiva entre os demais resultados”.

Goiás (-6,4%) apontou o recuo mais elevado em novembro e interrompeu quatro meses seguidos de crescimento na produção, período em que acumulou ganho de 11,3%. “Setores como o de derivados do petróleo e biocombustíveis e o de alimentos contribuíram para esse comportamento da indústria goiana. Esse resultado é o mais negativamente intenso para a indústria de Goiás desde novembro de 2019, quando atingiu queda de 8,6%”, observou Bernardo.

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