Economia chinesa cresceu 5% em 2025, superando a guerra tarifária

O Produto Interno Bruto (PIB) da China apresentou crescimento de 5% em comparação com o ano anterior em 2025, alcançando a meta anual estipulada por Pequim, atingindo pela primeira vez a marca recorde de 140 trilhões de yuans, equivalente a 20 trilhões de dólares, e puxado pelo crescimento das exportações, de acordo com do Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS) divulgados na segunda-feira (19). Segundo recém divulgado relatório do FMI, o crescimento global em 2025 ficará em torno de 3,3%.

Resultado que revela a resiliência da economia chinesa, apesar da guerra tarifária e de cerceamento tecnológico em curso desde a posse de Trump, que fizeram a exportação de produtos chineses para os EUA apresentar queda de 20% em 2025, enquanto o superávit comercial chinês global alcançava inéditos US$ 1 trilhão de dólares, refletindo a diversificação de mercados e de fornecedores.

O valor adicionado das empresas industriais aumentou 5,9% em relação ao ano anterior, enquanto o setor de serviços cresceu 5,4%.A produção de grãos teve um aumento de 1,2%, cerca de 715 milhões de toneladas no total.O investimento em ativos fixos caiu 3,8% ano a ano, segundo dados do NBS. As vendas de bens de consumo na China saltaram 3,7% ano sobre ano.

Ainda segundo o NBS, o valor agregado da manufatura de alta tecnologia cresceu 9,4% ano a ano, superando a taxa geral de crescimento em 3,5 pontos percentuais. A produção de robôs industriais aumentou 28%, e os veículos de energia nova aumentaram 25,1%, segundo dados do NBS.

No quarto trimestre de 2025, a economia cresceu 4,5% ano a ano, uma redução em relação aos 4,8% do terceiro trimestre, após 5,2% no segundo trimestre e 5,4% no primeiro trimestre.

Analistas assinalaram que esse impulso de crescimento continuará a posicionar a China como “um farol de estabilidade e a locomotiva da economia mundial”, de acordo com o Global Times.

“A economia chinesa continuou a demonstrar forte resiliência, navegando pela instabilidade enquanto alcança tanto saltos quantitativos quanto melhorias qualitativas”, disse o chefe do NBS, Kang Yi, observando que o país deve contribuir com cerca de 30% para o crescimento econômico global, servindo como estabilizador para as cadeias de suprimentos mundiais.

DESAFIOS SEM PRECEDENTES

Para Yao Jingyuan, pesquisador especial do Escritório do Conselheiro do Conselho de Estado, 2025 foi um “ano extraordinário” durante o qual os desafios internos e externos enfrentados pela economia chinesa foram sem precedentes tanto em escala quanto em intensidade.

“Externamente, o protecionismo comercial tem aumentado, e as tendências de desglobalização ressurgiram. Em particular, houve tentativas renovadas de conter e sabotar o desenvolvimento da China, com os EUA usando novamente as tarifas. Internamente, a China tem lidado com pressões de demanda insuficiente, desequilíbrio entre oferta e demanda, além das dificuldades associadas à transformação econômica e à modernização”.

BASE SÓLIDA PARA O 15º PLANO QUINQUENAL

Esses números também representam “um sucesso retumbante até a conclusão do 14º Plano Quinquenal da China (2021-25)” e estabelecem “uma base sólida” para o ano inaugural do 15º Plano Quinquenal da China (2026-30).

Ao Global Times o economista Tian Yun disse que os desenvolvimentos mais destacados em novos motores de crescimento no ano passado estão de perto alinhados com as prioridades do 15º Plano Quinquenal (2026-30), que dá grande ênfase à conquista de maior autossuficiência e força em ciência e tecnologia e na orientação do desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade.

“O crescimento resiliente e estável registrado pela economia chinesa tem proporcionado uma salvaguarda crucial para o desenvolvimento sustentável da economia mundial. Por outro lado, a China hoje é a base de cadeia de suprimentos mais estável do mundo e o principal centro de produção de bens industriais. E essa posição ficará mais evidente nos próximos anos”, enfatizou.

AÇÃO PROATIVA

O Global Times registrou, ainda, que desde o início de 2026, as autoridades chinesas lançaram uma série de iniciativas que visam estimular o consumo e expandir a demanda interna, visando “um começo promissor” para o novo ano, assim como foi feito em relação ao quarto trimestre do ano passado.

“Esses são sinais claros enviados ao mercado de que o governo chinês atuará proativamente e antecipará seus esforços. Prevê-se que medidas mais direcionadas serão adotadas para enfrentar os desafios econômicos persistentes, o que ajudará a fortalecer a confiança do mercado e aumentar a expectativa social geral este ano”, apontou  Hu Hu Qimu, secretário-geral adjunto do Fórum 50 para Integração das Economias Digitais-Reais.

A meta de crescimento da China para 2026 será estabelecida em março pelas “Duas Sessões”, as reuniões plenárias anuais do Congresso Nacional do Povo e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

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