500 mil cubanos se despedem dos 32 heróis que doaram a vida na defesa da soberania venezuelana

Em frente à Tribuna Anti-Imperialista, em Havana, a dignidade de um povo que não se dobra (Reprodução)

Em frente à Tribuna Anti-Imperialista, presidente Miguel Díaz-Canel comandou a manifestação em Havana, enfatizando que os combatentes “honraram o legado dos comandantes Fidel Castro e Hugo Chávez”

Mais de meio milhão de pessoas tomaram as ruas de Havana para dar o último adeus, nesta sexta-feira (16), aos 32 soldados cubanos mortos em combate defendendo a soberania da Venezuela contra a invasão dos Estados Unidos no dia 3 de janeiro, na ação terrorista que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

“Os nomes destes 32 combatentes entraram para a história do país, por defenderem de forma valente a soberania de uma nação irmã, incorporando todas as qualidades que distinguem os heróis. Todos eles são verdadeiros heróis cubanos”, afirmou o presidente Miguel Díaz-Canel, que liderou a manifestação. “Aqueles de nós que têm os bravos combatentes da segurança pessoal como parte da nossa família, e conhecemos a sua vontade espartana de defender as vidas sob a sua custódia, sabíamos, antes de o confirmar, que se comportariam como titãs mesmo na sua última batalha”, disse.

BANDEIRAS CUBANAS E VENEZUELAS TREMULANDO LADO A LADO

Portando bandeiras cubanas e venezuelanas, faixas contra Trump, recordando Fidel e homenageando cada um dos que tombaram na linha de frente, os cubanos enviaram uma mensagem à Casa Branca: “jamais desejaríamos suas bombas sobre nossas cidades, mas, se ousassem, os invasores não sairiam ilesos”.

Em frente à Tribuna Anti-Imperialista, próxima à sede da missão estadunidense, Díaz-Canel destacou que os heróis “honraram o legado dos comandantes Fidel Castro e Hugo Chávez”. Para o líder, o evento demonstrou “o quanto os cubanos e venezuelanos são irmãos, capazes de dar a vida pelo outro”.

No semblante da multidão, da mesma forma que a dor e as lágrimas, um mar de convicção, identidade e amor com a causa de que “Pátria é humanidade” e da necessidade da mobilização para somar forças contra um império em decadência.

Como destacou o presidente cubano, “a sentença visionária de Bolívar foi confirmada, mais uma vez, agora no seu país natal, de que ‘os Estados Unidos parecem destinados pela providência a espalhar a miséria pela América em nome da liberdade’. E a advertência de Ernesto Che Guevara de que ‘não se pode confiar nem um tantinho assim no imperialismo, nada!”.

Vejam vídeo cubano que homenageia os que caíram no enfrentamento do império:

“BARBÁRIE, PILHAGEM E FASCISMO”

Díaz-Canel denunciou que “os promotores do ataque e sequestro do presidente Maduro e da sua esposa, apelando aos métodos mais abomináveis ​​do fascismo, teceram uma espessa nuvem de mentiras e difamações contra os líderes bolivarianos antes de atacarem covardemente a Venezuela, ignorando abertamente os limites do direito internacional, que até então garantia uma coexistência mínima civilizada entre as nações”. “A atual administração norte-americana abriu a porta a uma era de barbárie, pilhagem e neofascismo, independentemente do que isso possa significar em mais guerra, destruição e morte”, condenou.

“Eles foram a espada e o escudo do nosso povo contra o avanço do fascismo. E serão para sempre um símbolo, uma prova de que não existe cidade pequena quando a sua dignidade é tão firme. Obrigado pela coragem e exemplo, companheiros”, acrescentou o presidente.

A DIGNIDADE DO POVO CUBANO

“Reafirmamos que se algo esta dolorosa página da história demonstrou é que o imperialismo poderá ter armas mais sofisticadas. Poderá ter imensas riquezas materiais, poderá comprar as mentes dos vacilantes, mas há algo que nunca poderá comprar: a dignidade do povo cubano”, enfatizou o ministro do Interior, Lázaro Alberto Álvarez Casas.

O comandante Raul Castro, de 94 anos, compareceu junto a outras lideranças históricas da revolução para homenagear os combatentes na capital, concluída com o sepultamento da maioria dos corpos no Panteão dos Caídos em Defesa da Pátria.

Homenagens similares ocorreram em outros municípios da Ilha, onde os demais soldados foram sepultados, no Panteão dos Caídos de suas cidades.

“QUANDO UM POVO ENÉRGICO E VIRIL CHORA, A INJUSTIÇA TREME!”

Ao encerrar seu pronunciamento, Díaz-Canel sublinhou que “não há rendição ou vacilação possível, nem qualquer tipo de entendimento baseado na coerção ou intimidação”. “Cuba não tem que fazer quaisquer concessões políticas, nem isso jamais estará numa mesa de negociações para um entendimento entre Cuba e os Estados Unidos. É importante que eles entendam isso. Estaremos sempre dispostos a dialogar e melhorar as relações entre os dois países, mas em igualdade de condições e com base no respeito mútuo. A história agora não será diferente. Ao império que nos ameaça dizemos: Cuba, somos milhões. Somos um povo disposto a lutar se nos atacarem com a mesma unidade e ferocidade dos 32 cubanos que caíram em 3 de janeiro. Hoje dizemos como Fidel: ‘Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme!’”

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