Defendem a manutenção de um juro real de mais de 10%, taxa incompatível com a atividade produtiva de qualquer país
O Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (19) reduziu mais uma vez a projeção de inflação, de 4.05% para 4,02% este ano. Quanto aos juros, continuam nas alturas, com as taxas reais (descontada a inflação) subindo.
O IPCA encerrou o ano de 2025 em 4,26%. Com a taxa básica de juros da economia, que está fixada hoje em 15% ao ano, o juro real está acima de 10%. Uma taxa incompatível com a atividade produtiva de qualquer país.
Dependendo da decisão que o Banco Central irá tomar, dias 27 e 28 próximos, os juros vão permanecer sufocando a economia brasileira, travando os investimentos, a geração de empregos e o consumo das famílias.
A pressão dos bancos e demais rentistas é pela manutenção dos 15% atuais e quem sabe iniciar uma redução, a conta-gotas, só em março.
Considerando a posição atual e as projeções do mercado financeiro, o que temos é a permanência de juros reais exorbitantes. Com quase 11% de remuneração nas aplicações financeiras, quem dispõe de recursos para investir acaba simplesmente aplicando no mercado financeiro. Resultado é a indústria estagnada, investimentos e vendas em queda e demanda reprimida.
Certamente rentistas de toda ordem estão achando tudo isso muito bom, afinal embolsaram quase 1 trilhão de reais com o pagamento de juros via transferência de recursos publicos no ano passado.
Por outro lado, o custo do crédito, tanto para o setor produtivo como para as famílias, vai às alturas. Descontar um boleto ou recebíveis do cartão de crédito para as empresas fica por demais oneroso, os investimentos de longo prazo ficam ainda mais inviáveis. Da mesma forma onerosa fica para as famílias comprarem uma TV, uma geladeira ou um carro, por exemplo.
Nesta segunda feira (19) a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito que demonstra que a cada dez empresas industriais brasileiras, oito enfrentaram dificuldades para acessar crédito em 2025, principalmente por causa dos juros elevados.
O Boletim Focus é resultado de uma pesquisa feita semanalmente pelo BC junto a cerca de 160 profissionais, diretores e presidentes de bancos e demais instituições financeiras. Não são consultados representantes da indústria, comércio, serviços e dos trabalhadores.











