O fascista quer legitimar o assalto aos palestinos e fomentar novos genocídios mundo afora
Os primeiros detalhes que estão vindo à tona sobre o chamado “Conselho da Paz de Gaza”, anunciado nos primeiros dias de 2026 pelo ditador Donald Trump, revelam tratar-se, na verdade, não de um “Conselho de Paz” de verdade, mas sim de um “Conselho de Ocupação” para seguir eliminando palestinos e viabilizar grandes e milionários negócios na região.
Mais do que perseguir palestinos, o projeto é também fruto da ideia fixa de Trump de criar uma organização internacional totalmente sua, por fora da ONU, onde ele possa mandar e desmandar sem ser contestado. Não se pode deixar de destacar que um outro objetivo por trás da iniciativa é constituir um fundo bilionário, alimentado pelos recursos aportados por chefes de Estado escolhidos por ele, para viabilizar os negócios altamente rentáveis em Gaza.
NEGÓCIOS BILIONÁRIOS
Pelas normas divulgadas, este “fundo da paz” será totalmente controlado pelo próprio Trump. Os amigos bilionários – quase todos sionistas – escalados por ele, também vão participar das negociatas. O plano, como já é sabido, é transformar Gaza numa nova “Riviera”, exatamente como foi alardeado após o morticínio de mais de 60 mil palestinos e a expulsão, pelos EUA e Israel, de cerca de dois milhões de pessoas de suas casas e terras na Faixa de Gaza.

A Casa Branca anunciou oficialmente o lançamento do “Conselho da Paz de Gaza” no do dia 3 de janeiro. Diversas fontes informaram que cartas foram enviadas a mais de 50 países convidando seus chefes de Estado para integrarem a “iniciativa” de Trump. Cada chefe de Estado, segundo Washington, poderá permanecer no conselho por três anos, ou ser membro permanente, desde que contribua para o “fundo da paz” com US$ 1 bilhão já no primeiro ano de participação.
Ninguém sabe até agora que papel cumprirão esses chefes de Estado dentro do “conselho” criado por Trump. É tudo um grande mistério. É por isso, aliás, que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que consta entre os convidados, ainda não respondeu se participará ou não desta iniciativa. Lula foi um crítico contundente do genocídio dos palestinos levado a cabo por Israel e EUA na Faixa de Gaza.
ORGANIZAÇÃO NEOCOLONIAL
A “carta geral” de fundação do “Conselho da Paz de Gaza”, estranhamente não cita Gaza. A região só aparece quando são referidos os conselhos executivos específicos. Aí aparece o Conselho Executivo de Gaza. O texto que norteia a fundação da “organização” imita algumas características gerais das Nações Unidas e aponta para objetivos imperiais mais amplos.
Ela até se refere a uma decisão do Conselho de Segurança da ONU para justificar a iniciativa, mas não tem nada a ver com as normas da ONU. Realmente a resolução 2803, de 17 de novembro de 2025, autorizou a ONU a criar um conselho de paz para Gaza. Ela foi aprovada com os votos dos EUA, Reino Unido e França e teve a abstenção da Rússia e da China. Certamente essa resolução não previa uma aberração como esta que Trump está apresentando agora ao mundo. Não era Trump que deveria criar o Conselho da Paz, era a ONU. Ele simplesmente atropelou tudo.
A farsa é tão evidente que a estrutura anunciada por Trump, apesar de se escudar na citada resolução, não usa nenhum critério da ONU. Aliás, a não ser a referência à resolução, as decisões não estão passando nem perto das normas e regras estabelecidas pela ONU. Os conselhos criados pelos fascistas estão completamente submetidos às vontades e caprichos exclusivos de Donald Trump. Esta “organização” não passa de uma afronta total à soberania dos países, ao direito internacional e à própria Carta das Nações Unidas.

Logo no primeiro artigo, a carta, que o jornal The Times of Israel publicou na íntegra, diz que o Conselho da Paz “é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar uma governança confiável e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”. Como se pode avaliar por este trecho, o tom adotado no documento está perfeitamente adaptado aos objetivos neocoloniais anunciados recentemente por Trump.
OCUPAÇÃO DE PAÍSES
Ou seja, a carta da nova “organização internacional” será mais um instrumento usado pelo império decadente e sua arrogância fascista para atropelar os Estados-nação e legitimar a ocupação de países e territórios alegadamente “ameaçados de conflitos”, como Groenlândia, Irã, Canadá, Venezuela, México, Colômbia e outros.
Os dois conselhos executivos constantes no documento, o de Gaza e o Conselho Executivo Geral, serão presididos por ninguém menos que o próprio Donald Trump. Haverá, na estrutura apresentada, uma “força de estabilização”, composta por tropas militares. A criação desta “força” estava prevista na resolução 2803. No entanto ela, que deveria ser criada pela ONU, agora será escolhida exclusivamente por Donald Trump e mais ninguém.

O “rei” Trump se indicou presidente de todos os conselhos. Não há alusão alguma a eleição, mandato, etc. Ele vai ocupar os cargos, não representando a Casa Branca, mas sim como pessoa física. Ou seja, uma verdadeira aberração jurídica. O cargo não será de uma autoridade, como ocorre normalmente em organizações internacionais. A presidência pertencerá à pessoa física de Donald Trump. Especialistas avaliam que este absurdo permitirá ao bufão da Casa Branca seguir fazendo negócios com o fundo bilionário, mesmo depois de deixar o governo.
Tudo isso caracteriza a “organização internacional” criada por Trump como um verdadeiro feudo. Ele se escolheu presidente e indicou para secretário-executivo do conselho fundador o gângster Marco Rubio, e para membros, um criminoso de guerra, como Tony Blair, bilionários sionistas, como Marc Rowan, Ajay Banga e Robert Gabriel e o amigo encarregado de tentar enrolar Vladimir Putin, Steve Witkoff, além de seu genro, Jared Kushner. Trump também escolheu pessoalmente, sem qualquer consulta, vários tecnocratas que ele determinou como representantes dos palestinos para “administrar” a região.
ESTRANGEIROS EM GAZA
O conselho executivo específico de Gaza foi anunciado no início da janeiro e será composto por Steve Witkoff, pelo ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, além de Ali al-thawadi, do Catar, e do espião do Egito, general Hassan Rashad. Compõem ainda o órgão, Reem Al Hashimy, funcionária do governo dos Emirados Árabes Unidos, o búlgaro, Nickolay Mladenov, o bilionário sionista Yakir Gabay, a ex-ministra holandesa Sigrid Kaag e o também bilionário, Marc Rowan. O renegado Tony Blair também fará parte deste conselho e também do conselho executivo fundador.
A carta deixa claro que o poder neste verdadeiro feudo será exercido pelo todo poderoso “rei Donald Trump”. Nenhuma discussão poderá ser feita por nenhum dos conselhos executivos sem a sua prévia autorização. Nenhuma nomeação ou decisão poderá ser tomada sem o aval direto de Trump. Ou seja, todo o poder estará em suas mãos e de mais ninguém. Isso tudo está escrito na carta de fundação da organização. Nada mais adequado ao megalomaníaco e fascista Donald Trump.
Haverá na organização de Trump o conselho geral, uma espécie de secretaria geral da sua “ONU particular”, e o conselho específico de Gaza. Trump resolveu criar ainda um terceiro conselho para ser o braço político de sua “organização internacional”. Esse braço político seria formado pelos chefes de Estado escolhidos por ele próprio para legitimar o seu “feudo” e seus desmandos. Ele presidirá também esse conselho político e cobrará US$ 1 bilhão para quem pretender participar de forma permanente de sua farsa.
AFRONTA À SOBERANIA
Estes são os planos de Trump. O mundo certamente não aceitará passivamente tamanha afronta ao direito, à soberania da população palestina e do restante do mundo e o cínico desrespeito aos mais elementares preceitos democráticos. O medo que o fascista da Casa Branca nutre contra o surgimento do mundo multipolar e seu ódio ao multilateralismo estão chegando a um patamar completamente insustentável.
O ditador da Casa Branca está cada vez mais destruindo as liberdades democráticas dentro dos EUA e lança mão de seus tentáculos para tentar destruir também qualquer respeito pela soberania das nações. Sem dúvida, toda essa escalada de arbítrio terá que ser barrada o mais breve possível, antes que seja tarde. O “Conselho da paz” de Trump, por tudo o que nós estamos vendo, não passa, portanto, de mais um Conselho de Ocupação colonial. O mundo e o Brasil não podem, de forma alguma, compactuar com esse descalabro.
SÉRGIO CRUZ











