Decisão ocorre por insolvência e vínculo ao Banco Master, já sob liquidação extrajudicial
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Conhecida por Will Bank, o banco digital voltado para pessoas de renda média e baixa vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde a liquidação do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, pelo BC, decretada em 18 de novembro de 2025.
Sua base de clientes se concentrava no Nordeste (60% de seus usuários). A empresa afirmava, em seu material promocional, ter um total de 12 milhões de clientes, que agora devem ser ressarcidos também pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) –uma associação privada que integra o Sistema Financeiro Nacional. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil por credor.
Por meio de nota, o Banco Central afirmou que decidiu liquidar o Will Bank, após o banco digital ter deixado de pagar Mastercard.
“A decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo”.
“Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, explica o BC.
O conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3. Segundo o BC, o conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O dono do banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras.
O Will Bank oferecia aos seus clientes o mesmo modelo de negócio de risco do Master. Em umas de suas redes sociais, o banco digital chegou oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rendimento de 230% do CDI por três meses, números bem acima do mercado.
Segundo o blog da jornalista Míriam Leitão, “entre as garantias oferecidas à bandeira de cartões pelo banco digital – comprado em 2024 pelo grupo de Daniel Vorcaro – está a participação de 6,93% do capital total do BRB (Banco de Brasília), instituição que chegou à compra do Master, em março de 2025 – mas o negócio vetado pelo BC”, setembro do mesmo ano. A Polícia Federal o caso, com suspeitas de fraudes na emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro – esquema teria envolvido R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes só entre janeiro e maio de 2025.
Estima-se que o gasto total do FGC com o banqueiro Vorcaro atinja a soma de cerca de R$ 50 bilhões. Com esse rombo no FGC haverá necessidade de uma nova injeção de recursos por parte dos bancos, que pode chegar a R$ 6 bilhões, a serem aportados por instituições financeiras privadas e públicas, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.











