Uma pesquisa realizada pelo Instituto Kiel demonstra que quem está pagando pela guerra tarifária imposta por Trump são os próprios consumidores americanos, negando a versão de Trump de que seriam os estrangeiros os grandes prejudicados.
O Instituto Kiel para Economia Mundial é um think tank de pesquisa econômica independente com sede em Kiel, na Alemanha.
Divulgado na segunda-feira (19), a pesquisa do Instituto Kiel demonstra que quem está arcando com as consequências pela política tarifária desastrosa de Trump são as empresas e os consumidores americanos.
“Os exportadores estrangeiros absorvem apenas cerca de 4% da carga tarifária, os 96% restantes são passados para os compradores dos EUA”, escreveram os pesquisadores. Eles analisaram 4 trilhões de dólares em remessas de mercadorias entre janeiro de 2024 e novembro de 2025.
De acordo com a pesquisa, os exportadores estrangeiros arcaram com 4% dos 200 bilhões de dólares em pagamento das tarifas de Trump. Os restantes 96% foram impostos pagos pelas importadoras e consumidores americanos.
“As tarifas são apresentadas como uma ferramenta para extrair concessões de parceiros comerciais enquanto geram receita para o governo dos EUA, sem custo para as famílias americanas”, disseram os pesquisadores. “Nossa pesquisa mostra o contrário: importadores e consumidores americanos arcam com quase todo o custo”.
“Se os exportadores estrangeiros não reduzirem seus preços em resposta às tarifas, então todo o ônus da tarifa recai sobre os compradores americanos. A tarifa não funciona como um imposto sobre produtores estrangeiros, mas como um imposto sobre o consumo dos americanos. Cada dólar de receita tarifária representa um dólar extraído de empresas e domicílios americanos”.
O autor do estudo e diretor do Instituto Kiel, Julian Hinz, disse que a guerra tarifária de Trump prejudicou mais o consumidor americano do que as empresas estrangeiras.
“A alegação de que os países estrangeiros pagam essas tarifas é um mito”, disse Hinz. “Os dados mostram o contrário: os americanos estão pagando a conta”.
Dois países que os pesquisadores analisaram mais a fundo foram o Brasil e a Índia, que em agosto de 2025, tiveram altas tarifas impostas por Trump. Em ambos os casos os exportadores não cortaram os preços de seus produtos. Segundo os pesquisadores, os dois países foram buscar em outros lugares por mercados mais competitivos ou por acreditarem que as tarifas são temporárias e poderiam ser negociadas com o governo americano.
O “Dia da Libertação” de Trump, no primeiro ano de seu segundo mandato, o presidente americano anunciou em 2 de abril de 2025 um pacote de tarifas contra quase todos os produtos importados. Com um mínimo de 10% de tarifas à imposição de tarifas mais altas contra parceiros comerciais, assim como tarifas específicas para o setor automobilísticos, aço e alumínio.
Recentemente Trump, querendo tomar a Groenlândia a todo custo, ameaçou com mais tarifas, países europeus que se recusarem a embarcarem em sua loucura imperialista. Ele ainda acredita que serão os europeus que irão arcar com suas ameaças de destruição econômica.
“A partir de 1º de fevereiro de 2026, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, serão cobrados uma tarifa de 10% sobre todos e quaisquer bens enviados para os Estados Unidos da América,” postou o presidente americano nas redes sociais.
Trump disse que manterá essas tarifas contra os países europeus até que se submetam à vontade do imperialismo americano e que “um acordo seja alcançado” mediante o qual os EUA tomem o controle da Groenlândia.
Economistas mostram que ditador da Casa Branca faz americanos pagarem por tarifaço










