EUA oficializam saída da Organização Mundial da Saúde

Saída dos Estados Unidos da OMS prejudicará os norte-americanos, alerta o presidente Tedros Adhanom (Fabrice Coffrini/AFP)

O ditador Trump assinou uma ordem executiva retirando os Estados Unidos oficialmente da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (23).

As justificativas apresentadas por Washington incluem a denúncia de “má condução do combate à Covid-19” e, em segundo lugar, por ter destacado a atuação da China no combate à pandemia, dizendo que isso indicaria um viés político da entidade mundial.

As principais alegações da Casa Branca são as mais disparatadas pois foi exatamente nos Estados Unidos e durante o seu primeiro mandato que a condução do combate à Covid-19 foi a mais inconstante e a que levou ao maior número de mortes e doentes enquanto que as medidas tomadas pelo governo chinês levaram a um retumbante sucesso em termos de reduzir perdas de vidas e de evitar propagação da doença.

Assim, enquanto a China que disseminou o amplo uso de máscaras, testou massivamente sua população e realizava isolamento sempre que aparecia um caso de Covid-19, vacinou 90% de sua população, teve 5.000 mortos na pandemia, Estados Unidos tiveram dos piores desempenhos no combate à pandemia: 100 milhões de infectados e 1.100.000 mortos.

Tudo isso foi agravado pela postura do próprio Trump quando governava no primeiro mandato. Veja-se o seu comportamento errático que falava sem nenhuma base na realidade do avanço da doença. A confirmação de que havia o risco de uma pandemia da doença foi dada pela OMS em 20 de janeiro de 2020. Em 22 de janeiro, afirmando estar baseado em informações do Centro de Controle de Doenças dos EUA, Trump deu entrevista afirmando que “a temos sob controle”. Ele continuou a falar que a situação estava sob controle no dia 30 de janeiro, no dia 23 de fevereiro, no dia 24 e no dia 25.

Ele continuou a repetir que a situação era controlável até o dia 16 de março com mais de 25 mil casos informados. E mais todas as previsões, mesmo quando admitia o surgimento da doença eram no sentido oposto dos encarregados da Saúde Pública norte-americana. Por exemplo, no dia 4 de março, em entrevista para a Fox News, disse que os números previstos pela OMS eram “falsos” e que o número de doentes não chegaria a “muito abaixo de 1%”, e que os doentes teriam “sintomas fracos” e “ficariam melhores muito rápido” e “nem precisariam procurar um médico”.

Uma de suas receitas chegou a ser alvo de piada quando sugeriu, já no final de abril daquele ano, uma “limpeza interna” com “injeção de detergente”.

Agora o mesmo negacionista vem a público dizer que EUA sai da OMS porque a entidade teria conduzido mal a luta contra a Covid!

O presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus expressou sua expectativa de que “EUA reconsidere a decisão” que chamou de “perde-perde” tanto para os Estados Unidos, como para o resto do mundo.

“Realmente não é a decisão correta, que dizer abertamente, porque eu acredito que há muita coisa que são realizadas através da OMS que beneficiam os Estados Unidos e que só a OMS faz, em especial em questões de segurança sanitária”.

“Por isso afirmo que os Estados Unidos não podem estar seguro fora da OMS”, concluiu o presidente da OMS.

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