País desceu da 60ª para a posição 65ª no ranking de evolução da produção industrial, com 80 países, apurado pelo IEDI a partir da base de dados da United Nations Industrial Development Organization (UNIDO)
A produção da indústria de transformação global avançou 3,9% no terceiro trimestre de 2025 na comparação com o mesmo trimestre de 2024.
No Brasil o movimento foi de retração, queda de -0,6% no período, o que fez o país descer 5 posições e ficar na 65ª posição no ranking de evolução da produção industrial, com 80 países, apurado pelo IEDI a partir da base de dados da United Nations Industrial Development Organization (UNIDO).
No terceiro trimestre de 2025, a produção da indústria de transformação global cresceu 0,7% em relação ao trimestre anterior, também já descontados os efeitos sazonais. A indústria brasileira, por sua vez, cresceu menos de um terço do total mundial, com a alta de 0,2% na mesma comparação.
O IEDI afirma que “a desaceleração industrial que temos visto no país, sob o peso das elevadas taxas de juros, nos fez descer 5 posições em contraste com o lugar ocupado no 2º trim/25. O retrocesso é ainda mais notável, em contraste com o 3º trim/24, quando ocupávamos a 21ª colocação do ranking formado pelos mesmos 80 países, ou seja, uma queda de 44 posições”, destaca a entidade em sua carta. “Para o acumulado de 2025 até setembro, aparecemos na 54ª colocação do ranking feito pelo IEDI, bem diferente de onde estávamos em 2024 (23º) e também mais abaixo da posição ocupada em 2023 (46ª)”, completa.
Na avaliação do economista e diretor-executivo do IEDI, Rafael Cagnin, a manutenção dos juros altos no Brasil é a razão para a péssima performance do setor no ano passado. Por definição do Banco Central (BC), a taxa básica de juros (Selic) hoje opera a 15% ao ano, o maior patamar em 20 anos.
As primeiras reuniões deste ano do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a taxa Selic ocorrem na terça e quarta-feira (27 e 28) desta semana. Cagnin avalia que mesmo com a perspectiva de corte na Selic em 2026, a indústria de transformação não deve ter uma grande retomada neste ano.
“Um corte [da Selic] só teria efeito [na economia real] no fim do ano”, afirma Cagnin em reportagem do jornal Valor Econômico, ao explicar que os cortes no nível da taxa nominal de juros têm efeito defasado no mercado, de seis a oito meses.

Segundo o economista, o juro elevado diminui o consumo interno via restrição do crédito, o que afeta negativamente as encomendas pela indústria. Por outro lado, o juro alto também deixa mais caro o capital de giro para a indústria, o que trava as compras de maquinário e consequentemente a modernização industrial do país.
O economista ressalta que a indústria de transformação global foca em torno de 45% de sua estrutura em ramos de alta e média-alta tecnologias (segmentos de automação, digitalização, inteligência artificial, entre outras). No Brasil, essa base estrutural não chega a 30% da indústria de transformação, porque o avanço destes segmentos industriais de média-alta tecnologias são mais dependentes das condições dos juros, por serem muito impulsionados pelo crédito.












