Bolsonarismo está chafurdado até o pescoço no escândalo do banco Master

Tarcísio (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil); Vorcaro (Foto: Istagram); Ciro Nogeiura (foto: Agência Sanado); Csstro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil); Ibaneis (Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil) e Nikolas (Foto: Pablo Valadares - Câmara dos Deputados). Fotomontagem HP

Ibaneis, Nikolas, Ciro Nogueira e Cláudio Castro estão totalmente envolvidos nas negociatas criminosas. Tarcísio e Jair têm que explicar os R$ 5 milhões doados a eles por Vorcaro

Tudo começou com o bolsonarista Ibaneis Rocha, governador de Brasília, tentando, na surdina, dar a ordem para que o banco público de Brasília, o BRB, comprasse o Banco Master que estava em estado pré-falimentar.

A negociata envolvia o desembolso de R$ 12 bilhões de dinheiro público para “salvar” o banqueiro Daniel Vorcaro. A tramoia envolvendo o BRB foi considerada um das maiores escândalos bancários do país. A operação criminosa entre o apoiador de Bolsonaro, Ibaneis Rocha, e o banqueiro ladrão Daniel Vorcaro foi abortada pelo Banco Central. O rombo aos desavisados passou de R$ 40 bilhões.

BRB E MASTER

Aliás, além do assalto aos cofres do BRB, o que chamou a atenção foi o comportamento do também bolsonarista Roberto Campos Neto. Ele fingiu que não era com ele. Fez vista grossa inexplicável sobre as negociatas de Vorcaro enquanto dirigia o Banco Central. O bolsonarista deixou a ladroagem correr solta. Certamente sabia e se calou.

Pois bem. O envolvimento dos fascistas chefiados por Bolsonaro não para por aqui. Assim que o Banco Central suspendeu a venda do Master para o BRB, o líder do bolsonarismo no Senado, senador Ciro Nogueira, iniciou uma violenta pressão sobre a instituição para reverter a decisão de interromper o “negócio”. Nogueira chegou a articular no Senado o impeachment do diretor responsável pela fiscalização do BC, Ailton de Aquino, que decidiu pelo cancelamento da tenebrosa transação. Depois de fracassarem neste intento, tentaram jogar a culpa no próprio diretor do BC.

Não foi só Ciro Nogueira que saiu a campo para tentar salvar a negociata bilionária do Master. A tropa de choque do banqueiro em Brasília contava ainda com Antonio Rueda, presidente do União Brasil e com o próprio Ibaneis Rocha. Essa trinca se mobilizou de maneira intensa em defesa dos interesses do Banco Master em Brasília. Rueda atuou como interlocutor político na aproximação do Master com o BRB, segundo as investigações.

Ciro Nogueira fez de tudo para barrar uma CPMI que investigaria o escândalo do Banco Master. À época, o senador Jorge Kajuru, do PSB de Goiás, declarou: “O lobby contra a CPI está pesado nos bastidores.

Já sabedor de que Vorcaro dirigia, na verdade, uma pirâmide fraudulenta que usava o Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, para lastrear sua jogatina tresloucada, Ciro Nogueira tentou fazer uma alteração na PEC da autonomia financeira do Banco Central. O senador buscou aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC, para as aplicações financeiras como o CDB, justamente o principal produto do banco de Vorcaro. A manobra ficou conhecida como “emenda Master”.

COMPLIANCE ZERO

O desbaratamento da “orcrim” bolsonarista começou com a operação da Polícia Federal Compliance Zero. Ela investigou a emissão de títulos de créditos falsos por instituições financeiras que integram o sistema financeiro. A suspeita era de que o esquema era usado para lavar dinheiro do PCC, principal organização criminosa de São Paulo. A PF descobriu que o grande beneficiário do esquema era o Banco Master, que oferecia a seus clientes investimento em renda fixa, o CDB, a valores muito abaixo do valor de mercado.

Daniel Vorcaro foi preso já dentro de um jatinho particular em fuga para Dubai. E uma outra coincidência interessante também veio à tona. Quando o presidente Lula apresentou o projeto do governo contra as facções criminosas, o governador bolsonarista de São Paulo, Tarcísio de Freitas, escalou Guilherme Derrite, deputado licenciado e secretário de Segurança do estado, para assumir a relatoria do projeto com o objetivo de atacar a Polícia Federal e tentar impedir a continuidade das investigações.

Mais do que isso. o país ficou sabendo também que o banqueiro Vorcaro contribuiu com R$ 5 milhões para as candidaturas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022. O cunhado do banqueiro foi o doador oficial. O pastor Fabiano Zettel, o maior doador individual das duas candidaturas despejou milhões nos cofres da campanha de Bolsonaro e Tarcísio. Foram doados R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para o “forasteiro”, morador do Rio, Tarcísio de Freitas.

Tudo indica que o bolsonarismo estava em conluio não só com o banqueiro ladrão do Master, mas também com o crime organizado nos dois principais estados do país, Rio e São Paulo. A atuação de Guilherme Derrite na Câmara dos Deputados, tentando de todas as formas impedir a atuação da Polícia Federal, foi reveladora do quão envolvido está a trupe de Bolsonaro com o crime organizado. Cláudio Castro enfiou mais de um bilhão de dinheiro público nos cofres do banco (veja mais adiante).

NIKOLAS NO ZAP DE VORCARO

Mas, não para por aí o escandaloso envolvimento dos fascistas reunidos em torno da família Bolsonaro com o banqueiro ladrão que está preso. Foi encontrado pela PF na lista de zap dos mais chegados ao banqueiro trambiqueiro o nome do deputado Nikolas Ferreira, um dos fascistas mais estridentes da Câmara. Ao invés de explicar o significado deste achado, o deputado resolveu fazer uma palhaçada nas estradas do país numa “caminhada a Brasília”. O evento irresponsável acabou provocando o ferimento com raios em mais de 70 pessoas na capital.

O governador do Rio de Janeiro, o também bolsonarista Cláudio Castro, por sua vez, até agora não se dignou a explicar porque autorizou que o fundo de pensão dos servidores do estado, o Rioprevidência, sacasse mais de R$ 1 bilhão dos cofres dos aposentados do estado para comprar CDBs do Master, às vésperas da decretação da liquidação da arapuca de Vorcaro. Castro não diz nada sobre isso, tenta jogar a culpa nos diretores e nem explica o fato de ter sido fotografado abraçado com o ex-deputado “TH Joias”, que é tesoureiro do Comando Vermelho e responsável pelo tráfico de armas da principal organização criminosa do estado.

Mas, apesar de todo esse conluio, os porta-vozes do bolsonarismo, dos bandidos e dos golpistas fazem um grande contorcionismo para tentar envolver o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo Lula no escândalo do Master. Parece aquela máxima do ladrão gritando “pega ladrão”, para tentar disfarçar seus próprios crimes.

TENTANDO TIRAR O CORPO FORA

Agora estão fazendo alarido sobre uma suposta reunião que teria ocorrido entre Lula e Vorcaro. Eles podem até ter se reunido, afinal, na época a PF ainda não tinha descoberto o lamaçal em que os bolsonaristas e o banqueiro estavam envolvidos. Lula não confirmou e também não deixou barato. Afirmou que o criminoso tem que pagar por seus crimes e que seu golpe lesou o país em R$ 40 bilhões. Lula criticou também todos os que estão tentando defender o banqueiro ladrão.

Os ataques e a tentativa desesperada dos fascistas e seus apoiadores de abafar o caso não se limitaram às fakenews sobre Lula e o governo. Eles quiseram atingir o ministro Alexandre de Moraes, do STF, cuja mulher faz parte de um escritório de advocacia que defendeu o Banco Master. A estratégia é confundir o trabalho advocatício da mulher com os criminosos. Como se advogados só defendessem inocentes. O plano deles foi desmascarado: queriam enfraquecer a “Suprema Corte” para tentar mais uma vez interferir e tumultuar as próximas eleições, que ocorrem este ano.

Assim também a histeria contra o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que ao sair do STF compôs o comitê consultivo estratégico do Master. Ele foi contratado pelo banco assim que deixou o STF e, em seguida, deixou o cargo para integrar o governo. Algo eticamente questionável, mas, não podemos esquecer que foi a PF, subordinada a ele, que colocou o banqueiro na cadeia. Portanto, por tudo o que está dito, são os bolsonaristas que se beneficiaram com as falcatruas criminosas de Daniel Vorcaro. Foram eles que tentaram viabilizar o golpe bilionário no BRB e que assaltaram os cofres dos servidores aposentados do Rio de Janeiro. Eles estão apenas tentando tirar o corpo fora. Não vai dar certo. O povo brasileiro não é bobo.

SÉRGIO CRUZ

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