Lula cobra posição da CELAC contra “intervenções militares ilegais que abalam a região”

Presidente discursa na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

O presidente brasileiro também defendeu a neutralidade do Canal do Panamá e lembrou o bom exemplo do ex-presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, de convivência com os países da região e respeito à soberania de cada um deles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu pronunciamento no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, realizado nesta quarta-feira(28), no Panamá, denunciou que a própria Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), “apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro (Gustavo Petro, da Colômbia), não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a região”.

Lula, mesmo sem citar Trump, referia-se, obviamente, ao sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro operado pelos Estados Unidos, recentemente, algo similar a outras agressões e intervenções, inclusive militares, promovidas no passado pela Casa Branca em outras ocasiões para impor seus interesses geopolíticos na região.

Foram vários os recados ao atual ocupante do governo dos EUA, país que, por ser a “maior potência militar do mundo” se sente no direito de atacar nações soberanas, sempre sob justificativas falaciosas.

O presidente brasileiro, diante desse cenário, defendeu uma integração maior entre os países latino-americanos e caribenhos.

Segundo ele, a CELAC está paralisada diante dos conflitos “ideológicos”, razão pela qual, até o momento, não conseguiu se manifestar, por exemplo, sobre a ação militar dos EUA na Venezuela, adotada unilateralmente pela Casa Branca, no velho estilo das intervenções que foram perpetradas contra países da região no século passado, que resultaram no assassinato de presidentes eleitos e deposição de governos legalmente constituídos.

“A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou Lula.

DEFESA DA NEUTRALIDADE DO CANAL DO PANAMÁ

Lula também defendeu a “neutralidade” do Canal do Panamá, uma das ambições de Trump. O americano só retirou a passagem marítima de seu radar por causa de um acordo com o presidente panamenho, José Mulino.

“A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, afirmou o mandatário brasileiro.

O presidente chegou a ser aplaudido ao falar sobre a necessidade de união da região, citando o ex-presidente americano Franklin D. Roosevelt e sua política da boa vizinhança como um exemplo das relações com os países latino-americanos e caribenhos, numa linha diametralmente oposta à praticada pelo atual ditador da Casa ranca.

“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver problemas. Temos 525 anos de história. Já fomos colonizados, recolonizados. Independência. Precisamos mudar de comportamento. Precisamos criar um bloco econômico que possa ajudar a acabar com a fome”, sustentou Lula.

Em outra indireta a Trump, que aplicou um tarifaço contra diversos países, Lula afirmou que o Brasil respondeu “a práticas do protecionismo com diálogo, firmeza e apoio às nossas empresas”.

Lula defendeu que a reconquista da confiança na integração entre os países da América Lática e Caribe “é uma tarefa árdua, mas necessária”. Para ele, a região dispõe de credenciais excepcionais para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial.

”Necessitamos de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais que articulem, de forma equilibrada, os distintos interesses nacionais de nossa região. A integração regional pode e deve alimentar-se de princípios e do exame crítico de outras experiências históricas. Mas ela será resultado da nossa capacidade de conviver com a diversidade das vontades políticas. Essa é uma condição essencial para manter a América Latina e o Caribe como zona de paz e cooperação, regida pelo direito internacional”, defendeu.

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