As centrais sindicais reagiram à decisão, no início da noite desta quarta-feira (28), do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. Segundo as centrais, com a decisão, “o Brasil segue no topo do ranking mundial de juros reais (o resultado da taxa básica menos a inflação), hoje em 10,09%, superando a Rússia (8,17%) e a Turquia (6,43%)”.
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a queda dos juros “trata-se de um anseio da maioria da sociedade e uma demanda associada ao desenvolvimento nacional que cobra urgência e não deve ser protelada”.
“O pagamento de juros a favor desta casta de parasitas (banqueiros e agiotas) consome, agora, mais do que a metade do orçamento público e configura uma brutal transferência de renda do conjunto da sociedade para os rentistas”.
“Quem paga a conta no final do jogo é o povo brasileiro, uma vez que isso é feito sacrificando investimentos públicos e o desenvolvimento nacional”, ressalta Adilson Araújo.
“É preciso reverter esta lógica perversa e estancar a sangria. É hora de mudar os rumos da política monetária, reduzir as taxas de juros, fortalecer o mercado interno, aumentar o consumo popular e a taxa de crescimento do PIB”, conclama o presidente da CTB.
“Se tem uma liderança que o brasileiro não quer é a liderança deste ranking. Juros altos penalizam a população, que paga mais caro pelo que compra, pelo crédito que contrai nos bancos, e fica com menos dinheiro para gastar e movimentar as empresas. O resultado disso é o desaquecimento da atividade econômica e menos empregos gerados”, afirma a vice-presidente da CUT e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.
“O que o Brasil precisa não são juros abusivos, mas sim de recursos para investir na indústria, no setor produtivo, nas empresas que promovem tecnologia, mas que estão sendo prejudicadas diretamente pela política monetária praticada pelo Banco Central”, reforça a vice-presidente da CUT.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, classifica como “perversidade” a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros (Taxa Selic) em 15% a.a. “É uma irresponsabilidade social”, afirma o líder sindical.
“A continuar com a atual taxa de juros, o Banco Central impõe um forte obstáculo ao desenvolvimento do país. Infelizmente, se curvando aos especuladores e virando as costas para a classe trabalhadora”, afirma Torres.
“O termômetro dos tecnocratas do Banco Central tem se mostrado extremamente frio com o setor produtivo, que gera emprego e renda, mas apresenta uma temperatura muito agradável para os especuladores”, argumenta o sindicalista.
Conforme a presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, “a manutenção da Selic é uma escolha política que penaliza a produção e o consumo”.
“O Banco Central insiste em sufocar a economia real enquanto banqueiros e grandes detentores da dívida pública lucram. Na outra ponta, trabalhadores e a classe média sofrem com juros impraticáveis no cartão e no cheque especial. Além de prejudicar o consumo das famílias, os juros em 15% dificultam a vida do próprio bancário, que enfrentam metas abusivas em um cenário onde o crédito é caro e a inadimplência cresce”, afirma Neiva.
De acordo com o presidente da NCST/SP, Nailton Porreta, “juros altos prejudicam o povo, as empresas e o Estado. Quem ganha com isso são apenas os agiotas disfarçados de investidores”, disse.
O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP), filiado à UGT, Josimar Andrade, ressaltou que, embora o ano seja novo, “a política do Banco Central é velha”. “Essa postura não condiz com a realidade que o país está vivendo, porque nossa balança comercial está em saldo positivo, o desemprego está baixo, a inflação controlada e o dólar em queda. Não há justificativa para manter os juros nesse patamar que penaliza os trabalhadores e trava o crescimento do Brasil”, disse.











