Informação é do diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, em depoimento à Polícia Federal. Governador bolsonarista cogita usar o Fundo Constitucional do DF para cobrir o seu rombo criminoso no banco público de Brasília
O Banco Regional de Brasília (BRB) terá que fazer uma reserva de recursos que pode chegar a mais de R$ 5 bilhões para cobrir os prejuízos que obteve com a aquisição de carteiras do Banco Master, segundo informações prestadas pelo diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, em depoimento à PF (Polícia Federal) realizado no fim de dezembro.
“A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, disse Aquino. Pelo que se tem mapeado até agora, segundo o diretor do BC, é que existe a necessidade de cerca de R$ 2,7 bilhões em provisões imediatas (reserva financeira) por parte do banco controlado pelo governo do Distrito Federal, comandado pelo bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB).
A tradução da fala do diretor do BC é que a carteira de títulos podres do Master recebeu o aporte de R$ 12,2 bilhões do BRB, por ordem do governador e a negociata gerou um rombo para os cofres do banco público que pode chegar a R$ 5 bilhões. O governador bolsonarista está pretendendo usar o Fundo Constitucional do DF, responsável pelos recursos para a manutenção dos serviços da Capital, para cobrir o rombo criado por ele mesmo.
“Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões”, disse o diretor em seu depoimento, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, divulgada na quarta-feira (28) . Esse prejuízo deve ser coberto pelo Governo do Distrito Federal, via aporte de capital.
A PF investiga o que motivou o interesse do BRB em uma instituição privada que já era popularmente conhecida por atuar em modelos de negócios questionáveis. Os indícios levam para suspeita de esquema de criação e negociação de títulos de crédito falsos entre o Master e o BRB.
O BRB pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito do Master supostamente fraudadas. Meses depois, o Banco Central mandou desfazer a operação, ao identificar irregularidades no negócio.
No depoimento à PF, ainda, Aquino disse que o BC sabia desde março dos problemas nos créditos repassados pelo Master ao BRB. Aquino diz que na época fez um questionamento ao BRB sobre o assunto, e a partir daí o BRB passou a reportar informações periódicas à autoridade monetária, que passou a acompanhar o processo de substituição dos ativos.
“Em 8 de julho de 2025, através de ofício, o BRB fala que está internalizando novos ativos. Aí ele pega Credcesta, cartão benefício, CRI, FII, títulos do exterior, ações, cotas. Então, neste ofício, o BRB diz que está internalizando novos ativos frente às carteiras adquiridas do Master, dadas como inexistentes”, disse Aquino.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, após o banqueiro Daniel Vorcaro (dono do banco Master) ser preso pela operação pela Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que apura fraudes em instituições financeiras. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi um dos alvos da operação.
O Master devolveu ao BRB os valores das carteiras em ativos, que agora estão sob análise do BC e da instituição pública. No entanto esse ativos repassados pelo Banco Master ao BRB para substituir os créditos fraudados são compostos por fundos que têm em seu patrimônio ações de empresa que perdeu valor, carteiras de crédito inadimplentes (dívidas não pagas ou em atraso), além de imóveis da família de Daniel Vorcaro, de baixa liquidez, segundo a reportagem.
Em depoimento à PF, o banqueiro Daniel Vorcaro confirmou que o Master enfrentava uma grave crise de liquidez e que seu modelo de negócios dependia fortemente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Daniel Vorcaro também confirmou que teve reuniões com Ibaneis Rocha, com o fim de discutir uma possível venda do banco. O governador confirmou os encontros com o banqueiro, mas negou tratar da aquisição da carteira do Master.
O Ministério Público Federal (MPF), com base em denúncia feita pelo Banco Central, apura se a negociação do BRB com o Master teve como objetivo preservar a liquidez do banco privado. As investigações do MPF apontaram que o Banco Master adquiriu carteiras de crédito da consultoria Tirreno, sem realizar qualquer pagamento, e logo em seguida, os papéis foram vendidos ao BRB.











