Vendas internas subiram 8,4%
O setor de máquinas e equipamentos encerrou o ano de 2025 com um crescimento de 7,3% da receita líquida total sobre 2024, conforme divulgou a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em coletiva de imprensa na quarta-feira (28).
O primeiro semestre do ano foi de forte atividade, acumulando crescimento na ordem de dois dígitos, mas que reverteu essa tendência no segundo semestre, registrando uma desaceleração nesse período que pode ser observada pelos resultados do mês de dezembro que registrou uma queda de 9,9% em relação a novembro e de menos 3% na comparação com dezembro do ano anterior.
As receitas líquidas de vendas, que expressam os resultados das empresas locais do setor, registraram desempenho acima das expectativas em 2025, atingindo R$ 221,68 bilhões, valor 8,4% sobre o observado em 2024, mesmo com o recuo de 6,5% no último trimestre de 2025 em relação ao 4º trimestre de 2024, com destaque para a indústria extrativa, do setor agrícola e nas obras de infraestrutura.
As exportações em 2025, após o recuo de 7,8% registrado em 2024, tiveram crescimento de 5,0% no ano. O aumento na quantidade exportada, aliado ao crescimento das vendas para países da América Latina e Europa, compensou perdas decorrentes da desaceleração do mercado norte americano, incluindo o tarifaço imposto por Donald Trump, (-9,4%) e a queda dos preços internacionais.
As importações em 2025 somaram US$ 32,17 bilhões, valor 8,3% superior ao registrado em 2024 e também o maior nível da história do país. Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil cresceram 7,9%, para R$ 411 bilhões.
EMPREGO
O setor de máquinas e equipamentos registrou melhora no número de pessoas empregadas ao encerrar o ano com 414,3 mil trabalhadores. Na comparação com 2024 o setor teve um acréscimo de 15.512 pessoas. Apesar desta melhora no ano, o mês de dezembro marcou quarto período consecutivo de queda na comparação mensal, como reflexo da desaceleração das vendas no período.
JUROS ELEVADOS
Para 2026 a Abimaq projeta um cenário de crescimento menor do que o resultado do ano passado, algo em torno de 4%, indicando uma desaceleração em comparação aos 7,3% de 2025. O cenário é impactado por taxas de juros elevadas, restrição ao crédito e instabilidades externas. O setor de máquinas agrícolas deve crescer 3,4%.
O setor busca, segundo o presidente da Abimaq, José Velloso, em outro momento, alternativas de crédito para garantir a competitividade, dado o “apetite” reduzido no mercado devido ao custo do dinheiro.
Maria Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da entidade, que apresentou uma análise dos resultados e projeções do setor, acompanhada por Patrícia Gomes, diretora de Comércio Exterior, em vários momentos colocaram as altas taxa de juros como fator central das dificuldades de desempenho do setor de máquinas e equipamentos em 2025.
As dificuldades se expressaram na desaceleração da economia no segundo semestre, refletindo a escalada da Selic, taxa básica de juros do Banco Central, que teve início no final de 2024 e foi aos exorbitantes 15% a partir de junho de 2025.
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