Volume bilionário das transações não poderia ser decisão só do banco. Ibaneis Rocha e líderes bolsonaristas pressionaram o diretor a autorizar compra e se empenharam na continuidade da negociata
O depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, tornado público na quinta-feira (29), revelou que os créditos do Banco Master vendidos ao Banco Regional de Brasília não existiam, eram uma fraude grotesca. Aquino declarou que o BC constatou “claramente a inexistência dos créditos”.
O diagnóstico do diretor do Banco Central (BC) é de que o BRB tinha condições de verificar e saber que os créditos eram “bichados” e não fazer a compra dos mesmos. Esta afirmação do diretor do BC reforça o entendimento de que a decisão de comprar títulos podres do Master foi do controlador do banco, ou seja, o governador Ibaneis Rocha. A Polícia Federal investiga o que levou o BRB a fazer vista grossa para os créditos podres do Master.
O Banco Master foi liquidado por insuficiência de liquidez após não ter honrado compromissos e por indícios de gestão fraudulenta, em novembro pelo BC. Aquino é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do banco para a diretoria colegiada do Banco Central. Ele também foi o diretor que o bolsonarismo tentou derrubar por conta da decisão de interromper as negociatas.
O diretor do BC afirmou que seria possível verificar se os créditos efetivamente existiam a partir da aplicação de técnicas adequadas de análise. Para ele, certamente houve falha na governança do BRB. “Tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, afirmou.
O volume total de R$ 12 bilhões em títulos podres comprados pelo BRB, e que deverão dar um rombo de R$ 5 bilhões ao banco público, não poderia ser uma decisão apenas da diretoria do banco. O empenho de Ibaneis em manter o negócio também falam a favor de uma decisão política.
O Master comprou carteiras de créditos consignados das empresas Tirreno e Cartos e as revendeu para o Banco de Brasília (BRB). Os créditos, porém, eram inexistentes e fraudados, segundo as investigações da Polícia Federal. Aquino relatou que se reuniu com um representante das duas empresas, e que ele citou vários números ao ser perguntado sobre qual o valor dos créditos gerados pelas companhias. Depois dessa reunião, segundo o diretor, o BC teve “certeza” da inexistência dos créditos.
A Tirreno só tinha negócios com o Master, citou Aquino, e destacou ainda que a Cartos era “uma empresa pequena” e a Tirreno “era uma empresa desconhecida” e ele constatou que não foram identificados fluxos financeiros da Tirreno – TEDs, Pix ou câmbio – nas bases do Banco Central. Em acareação, Daniel Vorcaro, dono do Master, tentou enrolar a polícia afirmando que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros, e não pelo próprio Master, e disse não ter conhecimento, à época, de que os papéis vendidos eram da empresa Tirreno.











