Brasil e Uruguai fortalecem cooperação em ciência e inovação para blindar soberania

Brasília (DF) 16/10/2025 - A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, no programa Bom Dia, Ministra. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Resgate de cooperação estratégica com foco em pesquisa, tecnologia e autonomia frente ao cenário de rivalidades entre grandes potências
 
Brasil e Uruguai deram passo concreto rumo ao fortalecimento de suas capacidades científicas e tecnológicas ao formalizar acordo de cooperação que, segundo líderes de ambos os países, visa “defender nossa soberania em um mundo em que a geopolítica da inovação se intensifica”.
 
A assinatura, realizada em Montevidéu na última quarta-feira (28), sela a criação do Centro Brasil-Uruguai de Pesquisa e Inovação que reunirá ações conjuntas em áreas como ciências da vida, tecnologia e formação de recursos humanos.
 
A iniciativa, coordenada pelo CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), conta com aporte inicial de R$ 50 milhões do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para impulsionar os primeiros projetos e operações do centro binacional.
 
“Esta cooperação não é apenas um amálgama de pesquisas: é uma articulação estratégica para que Brasil e Uruguai possam, juntos, produzir conhecimento que nos dê mais autonomia e menos dependência externa”, avaliou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
 
A cerimônia, além de autoridades brasileiras e uruguaias, contou com a participação de líderes que enfatizaram a importância do trabalho colaborativo para enfrentar as “pressões geopolíticas” que atualmente pautam investimentos e regras globais de inovação.
 

COOPERAÇÃO COMO DEFESA DA SOBERANIA TECNOLÓGICA

A parceria Brasil-Uruguai ocorre em contexto em que ambos os países têm reforçado internamente suas políticas de ciência e tecnologia.
 
No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação tem intensificado a estratégia de fortalecer capacidades internas, inclusive com investimentos que somaram R$ 2 bilhões em 2025 para ampliar a infraestrutura de pesquisa, incentivar talentos e reduzir dependências tecnológicas.
 
“A soberania tecnológica não é um conceito abstrato. Ela se constrói com investimento contínuo, com políticas bem desenhadas e com gente qualificada trabalhando para que o Brasil não dependa de soluções externas em áreas estratégicas”, disse Luciana Santos ao anunciar o balanço dos investimentos.
 
No Uruguai, dados oficiais mostram que o país alcançou níveis históricos de investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento), que atingiu em 2023 volume correspondente a 0,71% do PIB — um dos mais altos da América Latina —, ficando apenas atrás do Brasil nesse indicador.
 
Esses investimentos reforçam a convicção de que ciência e tecnologia representam forma de “blindagem” frente à competição global por cadeias produtivas de alto valor, como inteligência artificial, biotecnologia e tecnologias sustentáveis.


 
RESPOSTA À GEOPOLÍTICA DA INOVAÇÃO


 
Especialistas e formuladores de políticas veem na aliança contraponto à crescente “disputa geopolítica” global, marcada pela competição entre grandes blocos econômicos e gigantes tecnológicos por domínio em setores críticos.
 
A cooperação entre Brasil e Uruguai, segundo analista ouvido pela imprensa, pode ser interpretada como parte de estratégia maior do Mercosul e países latino-americanos para criar espaços de pesquisa colaborativa que fortaleçam a agenda regional frente às pressões externas.
 
“A cooperação científico-tecnológica é uma das frentes em que países emergentes podem criar vantagens estratégicas e defender sua soberania em um ambiente internacional cada vez mais polarizado”, afirmou o analista.
 
O acordo inclui, além dos esforços científicos, a criação de governança binacional que orientará as decisões estratégicas do centro e garantirá que ambos os países tenham voz ativa sobre prioridades de pesquisa e inovação.
 
Enquanto isso, autoridades destacam que a iniciativa deverá servir de modelo para futuras parcerias regionais e reforçar o papel do conhecimento como ferramenta de desenvolvimento sustentável e autonomia no século 21.

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