Bolsonaristas assaltaram os cofres públicos para bancar negociatas com Vorcaro

Vorcaro, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Foto: redes sociais)

Ibaneis usou R$ 12 bilhões em carteira falsa, Cláudio Castro desviou R$ 1 bilhão da Rioprevidência para CDBs podres do “banco amigo” e Tarcísio usou recursos da venda da Emae para turbinar o Master às vésperas da liquidação

O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal no último dia 30 de janeiro foi revelador de como os bolsonaristas agem de forma leviana com o dinheiro público. Ele afirmou que o BRB (banco púbico de Brasília) foi usado para a compra da carteira de crédito falsa do Master. Vorcaro confessou que a negociata visava resolver uma crise de liquides causada por sua jogatina frenética com papéis podres. Foram usados R$ 12 bilhões na transação.

CRISE DE LIQUIDEZ

Na prática o Master repassou ao BRB o direito a uma série de empréstimos que, segundo as investigações, nunca tinham sido realizados e, portanto, não poderiam ser pagos. O investigadores concluíram que essa operação criminosa era necessária para aumentar a liquidez do Master para o pagamento de CDBs a vencer no início de 2025.

O diretor do BC responsável pela liquidação do Master, Ailton Aquino, também ouvido pela Políciia Federal, disse que a direção do BRB tinha plenas condições de saber que os títulos do banco de Vorcaro eram podres. Isso reforça que a decisão de comprar os títulos podres foi política.

Uma quantia desta magnitude (R$ 12 bilhões), usada pelo BRB para a compra, jamais seria disponibilizada pelo banco público sem a autorização expressa do governador Ibaneis Rocha. A autorização para que o banco comprasse a carteira fraudulenta revela que Ibaneis usou o dinheiro do banco público dos brasilienses como se fosse seu, de forma escandalosamente ilegal, para ajudar um banqueiro picareta em apuros.

Não foi por acaso que, tanto Ibaneis quanto Ciro Nogueira, outro membro da trupe de Bolsonaro, pressionaram o diretor do BC para manter a negociata a todo custo. Chegaram a ameaçar o diretor que decretou a liquidação do Master de impeachment. Nogueira também tentou usar sorrateiramente uma PEC em tramitação no Congresso para elevar o valor de R$ 250 mil bancados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão.

ESQUEMA PONZI

Daniel Vorcaro confessou em seu depoimento que seus negócios se baseavam nas garantias do FGC. Ou seja, admitiu que sua jogatina era um verdadeiro “esquema Ponzi” –  fraude financeira que paga “lucros” a investidores antigos usando dinheiro de novos investidores – e estava pendurada na garantia do fundo e nas relações promiscuas com o submundo da política. O total que precisou ser coberto chegou a R$ 40 bilhões.

Também não foi por acaso que Daniel Vorcaro, através do cunhado, o pastor Fabiano Zettel, despejou R$ 3 milhões na campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e R$ 2 milhões na candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. O governador de São Paulo, depois de eleito, retribuiu. Ele vendeu a Sabesp e a Emae e enfiou dinheiro obtido com o negócio em CDBs podres do Master.

É exatamente assim que o bolsonarismo age. Desde as rachadinhas de Flávio Bolsonaro, que usava o dinheiro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para pagar milicianos fantasmas e seus parentes “contratados” em seu gabinete, até o pai que quando chegou no Planalto, entre outras negociatas, entregou a Eletrobrás para os picaretas envolvidos no escândalo das Americanas e, em viagem oficial ao países árabes, roubou joias e tentou entrar com elas clandestinamente no país para depois vendê-las nos EUA. Os detalhes foram dados pelo seu ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, em depoimentos à PF.

Ou seja, o bolsonarismo, apesar de fazer um discurso falso moralista, acha normal assaltar o dinheiro público para alimentar suas negociatas espúrias. Eles participam de todo tipo de negócio envolvendo dinheiro público como se fossem donos do patrimônio da nação. Veja-se, por exemplo, o caso do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também bolsonarista, que autorizou sem a menor cerimônia que o fundo de pensão dos servidores públicos do estado, o Rioprevidência, usasse R$ 1 bilhão de seus associados e futuros aposentados para comprar papéis podres do banco Master. Uma verdadeira farra com o dinheiro alheio.

SÉRGIO CRUZ

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