A MSF foi intimada pelo governo de Netanyahu a deixar o território palestino ocupado até o final de fevereiro caso não libere uma “lista” que transformaria seus funcionários em alvos potenciais do regime sionista
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi obrigada pelo governo israelense a abandonar até o final do mês a Faixa de Gaza por não ter cumprido as “condições de permanência” impostas por Benjamin Netanyahu, já que se recusou a fornecer uma lista dos seus trabalhadores palestinos. O acesso aos nomes não foi facilitado, informou a MSF, pois transformaria todos os seus funcionários em alvos potenciais do regime sionista.
Enquanto Israel alega que as novas regras de registro impostas às organizações não governamentais internacionais visam “prevenir o uso indevido da cobertura humanitária para atividades hostis e terrorismo”, a Médicos sem Fronteiras rebate alertando que centenas de milhares de pessoas ficarão sem acesso a cuidados de saúde vitais.
Com o intuito de garantir a continuidade do atendimento médico, a ONG explicou que estava disposta a fornecer uma lista específica com os nomes de alguns dos funcionários, desde que “sujeita a parâmetros claros” e “tendo a segurança” dos trabalhadores como “prioridade fundamental”. Infelizmente, relatou, apesar dos “repetidos esforços”, tornou-se “evidente” que as autoridades israelenses não buscavam um entendimento com a organização sobre as condições propostas.
Assim, sem garantias suficientes e “perante tal incerteza”, a MSF decidiu “não partilhar informações sobre os trabalhadores nas atuais circunstâncias”.
EXPULSÃO TERÁ EFEITOS DEVASTADORES
Em um comunicado, a entidade humanitária assinalou que a expulsão da MSF de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental terá efeitos “devastadores” em pleno inverno, quando as condições de vida permanecem extremas. Aponta que os serviços básicos continuam destruídos e que o sistema de saúde está “praticamente inoperante”. Desde outubro de 2023, 1.700 profissionais de saúde e 15 funcionários de MSF foram mortos.
Em 2025, com um orçamento superior a 100 milhões de euros, as equipes da organização trataram mais de 100.000 ferimentos e realizaram 22.700 intervenções cirúrgicas em quase 10.000 pacientes. Além disso, realizaram quase 800 mil consultas ambulatoriais, administraram 45 mil vacinas e assistiram mais de 10 mil partos.
Em termos de saúde mental, a MSF proporcionou mais de 40 mil atendimentos individuais e sessões de grupo para mais de 60 mil pessoas. Por outro lado, distribuiu mais de 700 milhões de litros de água e produziu quase 100 milhões de litros de água potável para a população.
“PERDA DE ACESSO A CUIDADOS MÉDICOS ESSENCIAIS, ÁGUA E SUPORTE DE VIDA”
A entidade avalia que o orçamento deste ano será entre 100 e 120 milhões de euros para a sua resposta humanitária a um trabalho essencial para quase meio milhão de pessoas na Faixa de Gaza. “Se a organização internacional perder o acesso a Gaza em 2026 por decisão das autoridades israelenses, uma grande parte da população perderá o acesso a cuidados médicos essenciais, água e suporte de vida”, denunciaram.
Atualmente, a MSF apoia seis hospitais públicos, administra dois hospitais de campanha, apoia quatro centros de saúde geral e administra um centro de hospitalização para o tratamento de desnutrição. A organização abriu recentemente seis novos postos médicos que oferecem atenção a feridos e outros serviços básicos de saúde.











