Mesmo com inflação em queda, banqueiros do Focus não abrem mão dos juros altos

BC consulta instituições financeiras para decidir sobre a taxa de juros básicos da economia. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Boletim do BC reduz estimativa da inflação para menos de 4% e juros reais sobem

As projeções do Boletim Focus, órgão oficioso da Faria Lima, publicado pelo Banco Central (BC), trouxeram, na consolidação desta segunda-feira (2), mais uma redução na inflação (IPCA) para o ano de 2026. De 4,0% na semana passada para 3,9% (quarta redução semanal consecutivas).

Com a Selic, taxa básica de juros da economia, mantida em 15% na reunião do Banco Central ocorrida na semana passada, as aplicações vão ter um ganho correspondente a uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 10,59%. A segunda taxa mais alta do planeta. Derrubando o investimento produtivo e o consumo das famílias.

Para o final do ano, o cartel de bancos pressiona pela manutenção dos juros elevados, e que a redução só poderá ser a conta-gotas, encerrando o ano de 2026 nos absurdos 12,25% ao ano.

Com a manutenção da Selic em 15%, das 40 principais economias do mundo, conforme a consultoria MoneYou, 35 delas fazem a rolagem de suas dívidas com taxas de juros reais inferiores a 5% ao ano. A taxa média geral em janeiro está em 2,33% ao ano, tornando o mercado financeiro no Brasil um verdadeiro “paraíso” para as aplicações no mercado financeiro do país.

As estimativas do Boletim Focus para 2026 do dólar ficaram em R$ 5,50 e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantido em 1,8%, há oito semanas. A taxa básica de juros projetada para 2026 permaneceu em 12,25% ao ano, patamar mantido há seis semanas. Pelo menos até março, quando da segunda reunião do ano do Copom do BC, a Selic permanece em 15%.

A projeção de crescimento da economia nos minguados 1,8% no ano é a demonstração mais evidente de como a política contracionista do BC, com taxas de juros estratosféricas, é um remédio, que para conter a inflação, está condenando o doente a uma asfixia que pode ser “mortal”, com a queda da produção industrial já em curso, dos negócios no comércio e nos serviços, e a possibilidade real pela frente de desemprego e queda na renda.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, em recente declaração alertou que “se a redução da taxa Selic não ocorrer logo, os efeitos da queda da atividade industrial deverão se alastrar pela economia, na medida em que afetarem emprego e renda do trabalhador industrial, além dos investimentos”.

Com taxas Selic acima de 13,25% em janeiro de 2025 e a manutenção em 15% desde junho desse ano, as despesas com juros atingiram a astronômica cifra de R$ 1.007,6 trilhão em 2025, conforme o relatório de “Estatísticas Fiscais” do BC. Um trilhão de recursos públicos torrados com pagamento de juros.

Sangria no erário público que supera as projeções do Orçamento da União para 2026 da soma de toda a verba combinada do Ministério da saúde, do Ministério da educação, do Ministério das Cdades (Minha Casa, minha vida) e o Ministério do Desenvolvimento Social (Bolsa Família e BPC).

A taxa de investimento na economia brasileira, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), deve se situar em torno de 17% a 18% do PIB em 2025. De acordo com dirigente da associação das indústrias de máquinas e equipamentos (Abimaq) e economistas, a taxa de investimentos deveria ser em torno de 25% para que o Brasil possa crescer, se reindustrializar, gerar mais empregos e pagar salários dignos. A economia chinesa mantém taxa acima de 40%.

Com a metade das despesas de juros, em torno de 500 bilhões, se investido na economia, ao invés de ficar na ciranda financeira, equivaleria algo em torno de 4,5% pontos percentuais de acréscimo na taxa de investimento. Esse nível de acréscimo de investimento público certamente atrairia importantes investimentos do setor privado.

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