Após vencer com vantagem de 17%, no mesmo condado, nas eleições de 2024, um candidato republicano perde para democrata, este, agora, com vantagem de 14%. Resultado acende luz vermelha entre republicanos frente as eleições de meio de mandato, a se realizarem este ano, para Câmara e Senado
A disputa suplementar para uma cadeira recém vaga no Senado do Texas, no distrito eleitoral que inclui Fort Worth (Condado de Tarrant), em que um candidato democrata derrotou no sábado (31) a oponente republicana pela primeira vez em quase meio século, acendeu todas as luzes vermelhas no comando republicano em relação às eleições legislativas de novembro, que decidirão a sorte na Câmara e Senado federais nos EUA.
Em 2024, Trump vencera ali com uma vantagem de 17 pontos percentuais. Agora, implicando em uma reversão de 31 pontos, o democrata Taylor Rehmet venceu a republicana Leigh Wambsganss com 14 pontos na frente.
Tendo se lançado candidato pela primeira vez na vida, Rehmet é ex-veterano e ativista sindical e surpreendeu por 57% a 43% a Wambsganss, sobre quem Trump postara que era “uma verdadeira guerreira MAGA” e “tem meu apoio total e irrestrito”. A eleição é para concluir os 11 meses que restam do mandato no Senado.
Uma guinada histórica que acontece em meio aos protestos no país inteiro contra os crimes da milícia anti-imigração e a percepção de que o governo Trump não entregou o que prometeu em relação à economia.
Depois do sacolejo na urna, Trump fez de conta que não era com ele, alegando se tratar de “uma eleição local do Texas”. “Não estou envolvido nisso”, ele encenou a repórteres.
Além de Trump, a candidata foi apoiada incisivamente pelo vice-governador e outros figurões republicanos. Mas não deu, apesar de ter gastado quatro vezes mais na campanha – US$ 2,6 milhões a US$ 577.000, de acordo com o jornal The Texas Tribune –, enquanto a de Taylor foi de porta em porta.
A cadeira estava vaga desde o verão passado, quando o republicano Kelly Hancock deixou o cargo para assumir a função de controlador interino do Estado.
QUEDA VERTIGINOSA ENTRE ELEITORES LATINOS
Nas últimas oito disputas eleitorais fora de calendário nos EUA, os republicanos perderam todas, inclusive em Miami, que não elegia um prefeito democrata há 30 anos. O que inclui o avanço dos progressistas sobre a ala mais conservadora democrata, em Nova Iorque, com Zohran Mamdani. A derrota dos trumpistas na Prefeitura de Miami era, por si só, um indício da crescente indignação entre os latinos.
Segundo fontes republicanas, em Tarrant faltou o comparecimento de suas bases às urnas e o tempo estava ruim. Já a campanha de Taylor entusiasmou os trabalhadores, a população latina e áreas dos subúrbios.
O resultado em Fort Worth está em consonância com a queda da aprovação de Trump para 37%, com apenas 27% dizendo apoiar a “maior parte” de suas políticas, de acordo com o Pew Center. Entre os próprios republicanos, sua aprovação recuou 11 pontos, de 67% para 56%.
Segundo outra pesquisa, da CBS, 70% dos latinos desaprovam a forma como Trump lida com a imigração, bem acima da média nacional, de 58%.
Até mesmo figurões republicanos do porte de Karl Rove, que era o Bannon de W. Bush, reconhecem que os republicanos estão com um “problema” entre os eleitores latinos, cuja adesão a Trump em 2024 foi chave para sua vitória. Atualmente, os republicanos têm uma escassa margem de três deputados na Câmara Federal, enquanto no Senado o placar é de 53 a 47.











