Vítima declarou que Trump a violentou quando tinha 13 anos, em farra promovida por Epstein

Trump aparece ao lado de Epstein em imagens mostrando participação em farras promovidas pelo pedófilo (Casa Branca)

: Os três milhões de páginas de arquivos do escândalo Epstein – a violação de meninas menores de idade nas altas rodas dos EUA – recém divulgados seguem estarrecendo o mundo inteiro, à medida que mais detalhes vêm à luz, face às figuras ali arroladas. A começar pelo presidente norte-americano (e ex-conviva de farras) Donald Trump, a fina flor das Big Techs, entre esses Elon Musk, governadores, juristas e escroques financeiros. E, ainda, o irmão do rei inglês, Andrew, a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, variados ex-ministros europeus, um ex-premiê de Israel e o Dalai Lama.

Em paralelo, o assíduo caroneiro do Lolita Express (o jato de Epstein), Bill Clinton, aceitou depor à Câmara dos Deputados.

Sobre Trump chegou a desabar a declaração de uma menor de que teria sido violentada por ele aos 13 anos – “sem comprovação”, diz seu Departamento de Justiça. Isso além das fotos dos encontros do presidente com o pedófilo em sua mansão de Mar A Lago.

Sobre esse episódio de pedofilia, segundo o Guardian a denunciante retirou a queixa com “medo terrível de retaliação”, em reportagem sobre o caso, citando uma de suas advogadas.

Ressurgiram, também, as referências às orgias das “garotas do calendário” que Trump promoveu, no tempo das noitadas com Epstein – que em um e-mail da leva anterior de documentos o chamara de “o cachorro que não latiu”, por ter sido excluído de uma investigação, depois de ter ficado, segundo Epstein, “horas com uma menor na minha casa”.

De acordo com o documento de código EFTA01660679, as menores eram submetidas a testes de “estreiteza” por meio de toques: “Mediam a vulva e a vagina das meninas, introduzindo um dedo, e as classificavam pelo grau de estreiteza” (sic).

O nome de Trump é citado milhares de vezes. Outros nomes que debutaram no rol dos arquivos de Epstein são o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o novo indicado para presidir o Fed, Kevin Warsh. Outros são reincidentes, como o ex-guru Steve Bannon.

Anteriormente, já aparecera o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers, que tornou Epstein em seu guia amoroso.

DIVISOR DE ÁGUAS

Em meio à revolta que se espalha nos EUA contra a brutalidade da Gestapo anti-imigração de Trump, volta à tona o caso Epstein, que se tornou um divisor de águas na sociedade norte-americana, inclusive entre bases trumpistas, na exigência de dar fim à impunidade dos pedófilos endinheirados. E aí é quase impossível evitar os cartazes dos “best friends” Epstein e Trump, e respectivas acompanhantes, antes de Trump ingressar na alta política.

O Departamento de Justiça, através do procurador-geral adjunto e ex-advogado pessoal de Trump, Todd Blanche, disse que essa é revisão “final” do arquivo, embora admita que mal chega à metade do que está em seu poder. E, em entrevista, disse cinicamente que não pode processar alguém por “festejar” ou por “trocar e-mails”.

A nova batelada de e-mails mostrou que, até 2018, Epstein foi convidado ou participou de jantares ao lado de nomes como Elon Musk, Jeff Bezos, Bill Gates, Larry Page e Sergey Brin (fundadores do Google) e Evan Williams (cofundador do Twitter).

Também figuras como Steven Tisch, coproprietário do time de futebol americano New York Giants, que trocou e-mails com Epstein sobre conexões com mulheres. “Traga seu harém”, segundo a correspondência do bilionário Branson o pedófilo. O diretor de cinema Brett Ratner, que acaba de dirigir Melania, aparece em fotografias com Epstein. Já Casey Wasserman, presidente do Comitê Olímpico de Los Angeles 2028, flertou com a parceira de Epstein, Ghislaine Maxwell, por meio de correspondências.

Quanto às negações de vínculos dessas altas rodas com Epstein, choca-se a profusão de e-mails e detalhes expostos – inclusive uma mensagem de Musk a Epstein para umas “férias” na Ilha Pedô.

“Isso está sendo vendido como transparência, mas o que realmente faz é expor sobreviventes”, escreveram 18 sobreviventes, após descoberta, pelo The New York Times, que a nova leva de artigos incluiu 40 fotos de mulheres nuas. “Mais uma vez, sobreviventes estão tendo seus nomes e informações identificáveis expostos, enquanto os homens que nos abusaram permanecem escondidos e protegidos. Isso é um absurdo.”

“Não vamos parar até que a verdade seja totalmente revelada e cada perpetrador seja finalmente responsabilizado.”

TEIA SINISTRA

Um aspecto assombroso das evidências recém expostas é o alcance da atuação do pedófilo, com suas relações se estendendo à Europa, Israel, e até à Ásia. Foi em sua mansão em Nova Iorque que o agora despojado dos títulos Andrew, então príncipe inglês, estuprou a menor Virginia Giuffre. Novas fotos surgiram de Andrew em seu refúgio na América, debruçado sobre uma mulher.

Há uma troca de mensagem durante visita de Epstein a Londres, com Andrew respondendo: “Ficarei muito feliz que você venha aqui ao Palácio de Buckingham. Venha com quem quiser e eu estarei aqui livre a partir das 16h”.

Também a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, entre 2011 e 2014, quando Epstein já estava devidamente fichado como um violador sexual, manteve com ele uma afetuosa correspondência e inclusive chegou a se hospedar na ilha.

Os novos e-mails mostraram que outros figurões noruegueses também participavam do convívio e intimidade com Epstein, inclusive o ex-primeiro-ministro, ex-presidente do Comitê do Nobel, Thorbjorn Jagland, e dois famosos negociadores dos Acordos de Oslo.

ESGOTOS VAZANDO

As tenebrosas transações levaram o ex-ministro britânico Mandelson a renunciar à Câmara dos Lordes, após aparecer e-mail dele recebendo dinheiro de Epstein. Na leva de arquivos anterior, Mandelson já havia renunciado a cargo no governo Starmer, ao ser exposta sua correspondência – e amizade – com o pedófilo confesso.

Há, ainda, uma copiosa correspondência entre o então primeiro-ministro Ehud Barak e Epstein, e o líder israelense em pessoa o visitou trinta vezes em NY entre 2013 e 2017. Em um e-mail, Epstein solicita a Barak que enfatize que “eu não trabalho para o Mossad”. “Você ou eu?”, retruca Barak. “Que eu não”, esclarece o pedófilo.

A RT destacou, em sua cobertura sobre o caso Epstein, que este, em correspondência com Ariane Rothschild, imediatamente após o golpe em Kiev, disse que isso abria “grandes perspectivas”.

DALAI LAMA SE HOSPEDOU COM EPSTEIN

Também chama a atenção sua deferência para com o Dalai Lama, que aparece em 169 novos e-mails, alguns datados de outubro de 2012.

No ano passado, o jornalista Michael Wolff em podcast do ‘Daily Beast’, relatou o Dalai Lama entre as figuras de destaque na casa geminada de Epstein em Manhattan durante “salões” ou encontros lá, o que atribuiu a possível interesse em obter doações para fins filantrópicos. O veículo de mídia europeu Nexta TV afirmou ainda que seguidores do Dalai Lama também podem ter se encontrado Epstein.

Questão também analisada em artigo de Jacob Silverman “Por que o Dalai Lama estava na casa de Jeffrey Epstein?”. Ele revelou que em 2009, o ‘líder espiritual tibetano’ falou em um evento para a NXIVM, a seita sexual abusiva cujo líder, Keith Raniere, foi condenado em 2019 por sete acusações criminais e sentenciado a 120 anos de prisão.

Durante a aparição em 2009, o Dalai Lama teria feito um discurso e colocado um cachecol cerimonial tibetano nos ombros de Reniere. Por seus esforços, o Dalai Lama recebeu 1 milhão de dólares, afirmou Silverman.

BRASIL ASSEDIADO

O Brasil é citado em alguns dos documentos liberados recentemente, sendo mencionada a relação de Epstein com um “agente” que teria conseguido garotas menores de idade para o bilionário quando esteve no país a trabalho.

Segundo a BBC, ao menos quatro brasileiras, incluindo adolescentes, teriam sido levadas para uma festa em uma das casas de Epstein nos Estados Unidos. Antes disso, a emissora britânica já havia informado que pelo menos 50 brasileiras passaram pela mansão do bilionário.

Em um e-mail de 2016, Epstein discutiu com outra pessoa a possibilidade de comprar uma agência de modelos no Brasil. Ele também cogitou a criação de um concurso de beleza com milhares de garotas e um investimento de US$ 500 mil

Segundo os arquivos, o francês Jean-Luc Brunel, cofundador da agência MC2 Model Management, nos Estados Unidos, criada com financiamento de Epstein, é quem fazia a intermediação para importar as vítimas brasileiras. Brunel foi preso em 2020 em Paris. Dois anos depois, ele foi encontrado morto em sua cela na prisão, enquanto aguardava julgamento. As autoridades locais classificaram o caso como suicídio.

MICROCOSMO DA DEPRAVAÇÃO E DECADÊNCIA DOS EUA

Jeffrey Epstein teve uma ascensão assombrosa, desde professor não formado de escola aos píncaros da especulação no Bears Stern, com direito a comprar, por 1 dólar, a mansão do dono da “Victoria Secret”, até a Ilha Pedô. A parceria com Ghislaine Maxwell, filha de um magnata da mídia inglesa, de notórios vínculos com o Mossad, que se metamorfoseou de socialite a cafetina.

E, durante um longo período, unha e carne com Trump, como mostram as fotos que insistem em reaparecer. Até à queda em 2019 e, aparecer morto em menos de um mês na cela em Manhattan, rapidamente considerado como “suicídio”. Conforme os novos documentos, Epstein estava discutindo uma possível delação pouco antes do “suicídio” com as autoridades judiciárias.

Em 2008, depois da denúncia dos pais de uma menina violentada por Epstein, ele chegou a ser preso mas conseguiu um acordo especialmente talhado para ele pelo então procurador Alex Costa, ao qual as vítimas não tiveram acesso. Safou-se com uma condenação menor por “solicitação de prostituta” – 18 meses, dos quais 13 em uma ala na prisão especialmente adaptada para ele, podia sair para “trabalhar” e só tinha de pernoitar; depois foi para “prisão domiciliar”.

Em 2019, uma investigação do Miami Herald sobre o caso acabou levando um juiz a declará-lo nulo, a promotoria de Nova Iorque reabriu as investigações e Epstein foi preso, enquanto Acosta, então secretário do Trabalho de Trump, teve de renunciar.

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