Greve de trabalhadores do transporte paralisa Alemanha contra arrocho salarial

Trabalhadores ocuparam as ruas em Berlim, Hamburgo e Bremen (Reuters)

Dezenas de milhares de trabalhadores do transporte público entraram em greve por salários na Alemanha, interrompendo serviços de ônibus, metrô e bondes por todo o país. Os trabalhadores também exigem melhoria nas condições de trabalho da categoria.

A paralisação foi convocada para esta segunda-feira (2) pelo sindicato Verdi, que representa cerca de 100 mil funcionários do setor.

O sindicato denuncia a intransigência dos chefes das empresas públicas municipais e estaduais, em meio a uma política geral de arrocho e que tem gestado uma estagnação sem precedentes, que levou ao fracasso das negociações.

A greve atingiu aproximadamente 150 empresas municipais de transporte em 15 dos 16 estados federais alemães, incluindo grandes centros como Berlim, Hamburgo e Bremen. Trata-se de uma das maiores ações coordenadas do setor de transporte local nos últimos anos.

O sindicato reivindica jornadas mais curtas, intervalos de descanso maiores e remuneração adicional para turnos noturnos e de finais de semana. As demandas ocorrem em um momento de forte restrição orçamentária nos municípios, que alegam dificuldades financeiras para atender às exigências.

Isso enquanto o governo alemão insiste em enviar fundos para a guerra da Otan na Ucrânia e se ressente do prejuízo por seguir orientações de Washington no bloqueio ao fornecimento da energia vindo da Rússia.

Em cidades como Stuttgart, Karlsruhe e Freiburg, os serviços ficaram totalmente suspensos ao longo do dia, de acordo com representantes sindicais. O impacto foi ampliado pelo frio intenso: em grande parte do país, as temperaturas ficaram abaixo de zero, obrigando passageiros a buscar alternativas de deslocamento.

EMPRESAS PROPÕEM BARBARIDADES

O representante do sindicato, Frank Schischefsky, defendeu a ação trabalhista, afirmando que “não podemos escolher o momento da disputa salarial. Infelizmente, não podemos esperar por um clima melhor”.

Em Berlim, negociadores do Verdi afirmaram que as empresas propuseram barbaridades como que os próprios trabalhadores financiem melhorias, abrindo mão de direitos como pagamento por licença médica e aceitando horários de trabalho prejudiciais à categoria.

A próxima rodada de negociações está agendada para 9 de fevereiro. O sindicato Verdi alertou que novas greves poderão ocorrer caso os empregadores não atendam às suas reivindicações.

Nos últimos anos, a Alemanha testemunhou diversas paralisações semelhantes que afetaram os serviços ferroviários de longa distância e suburbanos, bem como os principais aeroportos, com os trabalhadores reivindicando melhores salários e redução da jornada de trabalho.

Em dezembro passado, o banco central do país alertou que a Alemanha está a caminho de registrar seu maior déficit orçamentário desde a reunificação em 1990, citando o aumento dos gastos militares e o apoio financeiro contínuo à Ucrânia.

EM MEIO AOS CORTES PREMIÊ ANUNCIA MAIS US$ 440 BI EM APORTE PARA ARMAS

Em meio à estagnação que já dura três anos acompanhada de desindustrialização, o governo do ex-executivo da BlackRock, Friedrich Merz, anunciou que irá torrar U$ 440 bilhões para transformar o Bundeswehr “no exército convencional mais forte da Europa” e deixá-lo “pronto para a guerra” até 2029, sem esconder que o alvo é a Rússia.

E lamentou que “os custos trabalhistas em nosso país sejam simplesmente muito altos”, instando os alemães a se comprometerem com “uma maior produção econômica… por meio de mais trabalho”.

Em agosto de 2025, o premiê declarou que o “Estado de bem-estar social, tal como o temos hoje, já não pode ser financiado com o que podemos economicamente suportar”, ou seja, lá vem mais arrocho.

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