Uma batelada de 169 novos emails, agora revelados e expedidos depois de Epstein haver sido condenado por pedofilia, mencionam o Dalai Lama
Entre as revelações trazidas pelo recém divulgado lote de arquivos do pedófilo Jeffrey Epstein, chamou a atenção a correspondência por e-mail do anormal com o Dalai Lama, que aparece em 169 novos e-mails, alguns datados de outubro de 2012. Portanto, já depois de sua primeira condenação por violação de meninas menores de idade na Flórida, ocorrida em 2008.
No ano passado, o jornalista Michael Wolff em podcast do ‘Daily Beast’ relacionou o Dalai Lama entre as figuras de destaque na casa geminada de Epstein em Manhattan durante “salões” ou encontros lá, o que atribuiu a possível interesse em obter doações para fins filantrópicos. Também podem ter havido encontros de Epstein com seguidores do Dalai Lama, de acordo com o veículo de mídia europeu Nexta TV .
COM A SEITA NXIVM
A questão também foi esmiuçada em artigo de Jacob Silverman “Por que o Dalai Lama estava na casa de Jeffrey Epstein?”. Ele revelou que em 2009 o ‘líder espiritual tibetano’ falou em um evento para a NXIVM, a seita sexual abusiva cujo líder, Keith Raniere, foi condenado em 2019 por sete acusações criminais – entre essas a de escravizar sexualmente mulheres e marcá-las a ferro – e sentenciado a 120 anos de prisão.
Um caso que ficou famoso em parte por causa de que uma das vítimas era a atriz da série Smallville, Alison Mack.
Durante a aparição em 2009, o Dalai Lama teria feito um discurso e colocado um cachecol cerimonial tibetano nos ombros de Raniere. Por seus esforços, o Dalai Lama recebeu 1 milhão de dólares, afirmou Silverman.
“CHUPA A MINHA LÍNGUA”
Não é a primeira vez que surgem denúncias sobre os apetites do Dalai Lama. Em 2023, o Dalai Lama, Tenzin Gyatso, pediu desculpas por um vídeo em que pedia a uma criança que “chupasse sua língua” em um evento público, que gerou críticas nas redes sociais e comentários sobre pedofilia.
Veja o curto vídeo:
De acordo com vários meios de comunicação, o incidente ocorreu em um evento no templo do Dalai Lama na cidade de Dharamsala, no norte da Índia, no final de fevereiro.
No vídeo, o menino pode ser visto se aproximando do Dalai Lama antes de perguntar: “Posso te abraçar?”. O líder espiritual de 87 anos – o relato é da CNN – então convida o menino para subir no palco, “aponta para sua bochecha e diz: ‘primeiro aqui’, levando o menino a lhe dar um abraço e um beijo”.
O Dalai Lama então aponta para os lábios e diz: “então acho que, finalmente, aqui também”. Ele então puxa o queixo do menino e o beija na boca. “E chupe minha língua”, diz ele depois de alguns segundos, colocando a língua para fora, ainda na descrição da CNN.
A identidade do menino foi mantida em sigilo. O Centro para os Direitos das Crianças de Nova Delhi disse em um comunicado que condena “toda forma de abuso infantil”. A entidade acrescentou que, apesar de certas notícias se referirem a uma ‘cultura tibetana sobre mostrar a língua’, “este vídeo certamente não é sobre nenhuma expressão cultural e, mesmo que seja, tais expressões culturais não são aceitáveis.”
Na época, o departamento de redução de danos do Dalai Lama asseverou posteriormente pelo Twitter que “Sua Santidade” – é assim que o denominam – “deseja pedir desculpas ao menino e sua família, bem como a seus muitos amigos ao redor do mundo, pelos danos que suas palavras podem ter causado”. Assevera a nota que o Dalai Lama “lamenta o ocorrido”.
Diante da repercussão do tropeço – ou será reincidência? – do autodenominado líder “espiritual”, o comunicado remenda pior o soneto, explicando que ele “geralmente brinca com as pessoas que conhece de maneira inocente e divertida, mesmo em público na frente das câmeras”.
Após a famosa tentativa de golpe da CIA no Tibete nos anos 1950, que tentou reverter o fim da sujeição dos camponeses ao jugo feudal dos Lama pela revolução chinesa mas fracassou, Tenzin escafedeu-se da China. Desde então se apresenta ao mundo como um “baluarte” do budismo e da “espiritualidade” e fatura junto a círculos anticomunistas e esotéricos do mundo inteiro.
Após dizer em 2019 à BBC que uma mulher Dalai Lama para sucedê-lo deveria “ser mais atraente”, ele também precisou se desculpar em público.
O flagra em Tenzim é coerente com a denúncia do veterano historiador e escritor norte-americano Michael Parenti de que era um embuste a caracterização pelos saudosistas do antigo sistema feudal que vigorou no Tibete como um “Xangrilá” e um paraíso da espiritualidade.
“Até 1959, quando o Dalai Lama deixou de governar o Tibete, a maior parte das terras aráveis do país ainda era organizada em propriedades senhoriais trabalhadas por servos e pertencentes aos ricos proprietários de terras seculares e à aristocracia lamaica”, registrou.
Só o monastério de Drepung, com suas 185 propriedades rurais, possuía 25.000 servos, 300 campos de pastagem e 16.000 pastores. O próprio Dalai Lama “vivia ricamente no Palácio de Potala de 14 andares e 1.000 cômodos”.
“Havia também escravos, normalmente, trabalhadores domésticos que não tinham nada em seu nome. Seus filhos já nasciam escravos. A maioria da população rural era formada por servos, que não tinham acesso nem à educação nem a serviços médicos. Estavam condenados a trabalhar de graça por toda a vida nas terras do senhor – ou nas terras do monastério –, além de cuidar da manutenção da casa do senhor, transportar sua colheita e coletar lenha para ele”.
“Os servos eram tributados quando se casavam, no nascimento de cada filho e a cada morte na família. Eram tributados por plantar uma árvore no próprio quintal e por criar animais. Aqueles que não conseguiam encontrar trabalho eram tributados por estarem desempregados e, se viajassem para outra vila, em busca de trabalho, tinham de pagar um tributo pela viagem. Quando uma pessoa não conseguia pagar, os monastérios faziam empréstimos para eles a uma taxa de juros de 20% a 50%”.
AS CRIANÇAS SEVICIADAS DO TIBET FEUDAL
“Era comum que famílias de camponeses tivessem os filhos pequenos levados à força para monastérios, para serem treinados como monges. Tashì-Tsering, um monge, relata que era comum que filhos de camponeses sofressem abusos sexuais nos monastérios. Ele mesmo foi vítima de repetidos abusos, começando aos nove anos de idade. Os monastérios também recrutavam crianças para serem trabalhadores domésticos, dançarinos e soldados, em servidão vitalícia”, registra Parenti.
Segundo o historiador norte-americano, já desde 1951 o segundo irmão mais velho do Dalai Lama, Gyalo Thondup, se alistou a uma operação da CIA no Tibete. Em 1956-57, bandos armados emboscaram comboios do Exército Popular de Libertação da China. A CIA forneceu amplo apoio, treinamento militar e voos clandestinos a chefes de clãs aristocráticos ou filhos de chefes.
“Até onde pudemos averiguar, a maior parte das pessoas comuns de Lhasa e dos arredores não se uniu à luta contra os chineses”, destaca Parenti, que cita a conclusão do livro sobre o Tibete de Ginsburg e Mathos.
O que se explica, de acordo com Parenti, pelo fato de que os revolucionários chineses “aboliram a escravidão e o sistema de servidão tibetano de trabalho não pago”. Eliminaram, ainda, muitos impostos abusivos, iniciaram projetos de infraestrutura e reduziram enormemente o desemprego e a pobreza extrema. Instituíram escolas seculares e construíram sistemas elétricos e de abastecimento de água em Lhasa.











