Irã rejeita ameaças dos EUA e declara que não abre mão de sua produção de mísseis

Os milhares de mísseis compõem a principal força dissuasória iraniana (AFP)

“O enriquecimento de urânio é um direito legítimo nosso e deve continuar”, destacou ainda, nas negociações com EUA, o ministro do Exterior iraniano Araghchi.

Nesta sexta-feira (6), representantes dos governos do Irã e dos EUA se encontraram em Omã. As negociações se deram, no entanto, em meio a ameaças de ataque ao Irã por parte de Trump, chegando ao ponto de botarem na mesa de negociações o almirante Brad Cooper, comandante militar americano para o Oriente Médio, ao mesmo temo em que, ladeado por navios de guerra, se desloca às proximidades do Irã o porta-aviões USS Abraham Lincoln.

Ao rejeitar as pressões e ameças norte-americanas, o ministro ministro iraniano das Relações Exteriores,
Abbas Araghchi, destacou que, por princípio, “as negociações nucleares e a resolução das principais questões devem ocorrer em uma atmosfera calma, sem tensão e sem ameaças”,


“O pré-requisito para qualquer diálogo é abster-se de ameaças e pressão”, reiterou, “nós declaramos este ponto explicitamente hoje também, e esperamos que ele seja observado para que a possibilidade de continuar as negociações exista.”

No mês passado, Trump fez mais uma tentativa solerte de derrubar a República Islâmica. De acordo com declarações recentes do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, Trump orquestrou uma escassez de dólares no Irã, o que levou a uma inflação mais alta e desencadeou protestos. As manifestações, que permaneceram pacíficas por vários dias, foram então infiltradas por indivíduos armados ligados ao Mossad e à CIA, conforme mostram relatórios de inteligência.

Washington tentou centrar as negociações na interrupção do programa nuclear iraniano, assim como na suspensão da produção de mísseis balísticos e, também, no questinamento do apoio do Irã a organizações da resistência palestina, assim como forças populares de defesa no Líbano, Hezbollah e revolucionários Huthis no Iêmen.

Em entrevista à Al Jazeera, Araghchi deixou claro que, embora o Irã possa estar disposto a fazer concessões como a escala e o nível de enriquecimento de urânio, mas as linhas vermelhas inabaláveis ​​do Irã são de que o país não negociará seu programa de mísseis nem interromperá completamente o enriquecimento de urânio.

“Mísseis nunca são negociáveis, pois são uma questão defensiva”, enfatizou Araghchi.

Mostrando seu menosprezo pela soberania e quanto à representação estatal do Irã, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse, às vésperas das negociações, que não tem “certeza se você pode chegar a um acordo com esses caras, mas vamos tentar descobrir”. Disse ainda que Wahington pretende colocar na mesa o “tratamento de seu próprio povo”, referindo-se negativamente à firme resposta do governo iraniano aos distúrbios patrocinados pela CIA no país.

O ministro iraniano, Araghchi, destacou a empáfia de Washington como obstáculo a ser superado para o avanço das negociações. “Temos que superar o muro de desconfiança”, disse o diplomata.

Ele também abordou as persistentes ameaças militares dos EUA, visto que navios americanos continuam a chegar ao Golfo Árabe, assim como as belicosas declarações de Trump, a exemplo daquela em que dise, “temos uma grande frota indo naquela direção; ela chegará lá bastante breve. Então vamos ver como isso funciona”.

“Os iranianos parecem querer muito um acordo”, disse Trump sobre as negociações, para logo depois engrossar novamente: “Vamos ver a que acordo chegamos” e, referindo-se ao líder supremo do Irã, acrescentou: “Ele deveria estar muito preocupado”.

CAPACIDADE MILITAR DISSUASÓRIA

“Não é possível atacar o território americano se Washington nos atacar; no entanto, atacaríamos suas bases na região”, esclareceu. Araghchi acrescentou que disse aos americanos na sexta-feira que eles têm apenas duas opções: guerra ou diplomacia.

“Eu disse a eles que nossa escolha é a diplomacia, mas estamos preparados para ambos os cenários”. Os EUA operam uma extensa rede de instalações militares, tanto permanentes quanto temporárias, em pelo menos 19 localidades na região. Destas, oito são bases permanentes situadas no Bahrein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Aproximadamente 40.000 a 50.000 americanos estão destacados em instalações militares dos EUA em toda a Ásia Ocidental.

“Vamos realizar consultas com nossas capitais sobre os próximos passos, e os resultados serão transmitidos ao ministro das Relações Exteriores de Omã”, disse Araghchi anunciando o término da primeira etapa das negociações.

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