O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) desembolsou quase R$ 29 milhões em um material didático distribuído a estudantes da rede estadual que traz um erro histórico elementar sobre a Segunda Guerra Mundial. A apostila digital, entregue a alunos do 2º ano do ensino médio, afirma que o conflito ocorreu na década de 1950, quando, na realidade, teve início em 1939 e terminou em 1945.
O material custou R$ 28,6 milhões aos cofres públicos e foi classificado como pedagógico, embora contenha uma informação considerada básica para qualquer abordagem do período histórico. O erro aparece de forma explícita em um dos trechos da apostila: “Na década de 1950, a Europa foi o palco de um grande conflito, a 2ª Guerra Mundial. Os países destacados no mapa lutaram em lados opostos do conflito, mas após seu fim se viram obrigados a enfrentar uma nova ordem mundial com duas grandes potências: os EUA e a URSS”.
A inconsistência levou o deputado estadual Emidio de Souza (PT) a formalizar uma denúncia e cobrar explicações da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Para o parlamentar, o episódio não é isolado e evidencia falhas graves na condução da política educacional da atual gestão. “Tarcísio e Feder (Renato Feder, secretário de Educação) transformaram a educação de São Paulo em um ninho de problemas. Vergonhosamente essa coleção de absurdos não para de crescer”, afirmou.
Em resposta aos questionamentos, a Secretaria de Educação informou que adotou providências após a identificação do erro. Em nota, a pasta declarou: “Tão logo constatada a ocorrência de equívocos no material didático por nós produzido, foram adotadas medidas necessárias para a correção do referido equívoco, garantindo a adequação do conteúdo às diretrizes pedagógicas e à qualidade esperada pela educação pública de nosso estado. Dessa forma, a equipe técnica da Coordenadoria do Ensino Médio fez a correção e substituição do arquivo no Centro de Mídias da Educação do Estado de São Paulo”.
A denúncia apresentada por Emidio de Souza ocorreu em outubro de 2025 e resultou no ingresso de uma representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), com o objetivo de apurar responsabilidades pelo conteúdo distribuído aos estudantes. No documento encaminhado ao órgão, o deputado sustenta que o erro histórico “revela a falta de revisão técnica e pedagógica adequada” do material e solicita esclarecimentos formais à Secretaria.
Após a repercussão do caso, a Secretaria de Educação também comunicou que a “Coordenadoria Pedagógica da Seduc-SP está reforçando os procedimentos de revisão e controle de qualidade dos recursos didáticos utilizados na rede estadual”.











