Enquanto economia desacelera, cartel dos bancos faz a festa: lucros atingem R$ 87 bilhões em 2025

Banco Itaú tem o maior lucro líquido da história dos bancos. (Foto: ER/HP)

Soma dos três maiores bancos privados do país (Itaú, Bradesco e Santander). Apenas o Itaú, obteve R$ 46 bilhões de lucro líquido, um recorde histórico

O lucro dos três maiores bancos privados no Brasil atingiu a cifra escandalosa de R$ 87 bilhões em 2025, em meio à desaceleração da economia, queda no ritmo de geração de empregos e com a inadimplência da famílias e empresas em níveis elevados.

Apenas o Banco Itáu obteve um lucro líquido de R$ 46,83 bilhões em 2025, um recorde histórico. O mesmo banco, o maior do país, que saiu em defesa da manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% na véspera da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, em janeiro, que manteve os juros reais (descontada a inflação) na estratosfera.

“Juros punitivos, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que derrubaram a produção industrial no país em menos 1,2% no mês de dezembro do ano passado.

Enquanto o lucro líquido do Itaú cresceu 13%, a produção industrial brasileira desacelerou para um crescimento de apenas 0,6% em 2025, depois de uma alta de 3,1% em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Itáu teve um aumento no lucro de 13,1% frente a 2024. Somente no último trimestre do ano passado, quando a economia no país começou a sentir os efeitos do aumento dos juros pelo BC, o lucro líquido do banco foi de R$ 12,317 bilhões, um crescimento de 13,2% ante igual período de 2024.

BRADESCO E SANTANDER

O Bradesco obteve lucro líquido em 2025, de R$ 24,65 bilhões, uma alta de 26%. No último trimestre foi de R$ 6,5 bilhões. E o espanhol Santander, que além de lucrar muito no Brasil garantindo grande parcela de recursos para sua matriz (15,4% do lucro global), às custas do povo brasileiro, obteve lucro líquido de R$ 15,615 bilhões, um crescimento de 12,6% em relação a 2024. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 4,086 bilhões, alta de 1,9% na comparação com o trimestre anterior, o maior lucro trimestral do banco no Brasil nos últimos quatro anos.

A rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado (ROE) do Itaú atingiu 24,6%. Do Santander ficou em 17,6%. E a rentabilidade do Bradesco foi de 15,2%.

Os resultados contrastam frontalmente com o desempenho do restante da economia: indústria, comércio e serviços não financeiros.

De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE sobre a produção industrial física, “ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”.

Os juros que a indústria teve que pagar, especialmente custosos em razão da política restritiva que Macedo indica na sua fala, e que são referenciados pela estratosférica taxa básica de juros (Selic) do Banco Central, desde de junho de 2025 em 15%, a maior dos últimos 20 anos, foi parar nos balanços dos bancos. Como também foi responsável por uma despesa extorsiva dos setor público com juros em mais de um trilhão de reais em 2025.

E ainda pressionam por cortes sociais e investimentos públicos porque “eles querem garantir o que nós pagamos para eles”, como afirmou o presidente Lula em entrevista ao Uol.

O mesmo acontece quando o comércio apresenta dados sofríveis. Os mais recentes pelo índice de volume de vendas no comércio varejista ampliado da Pesquisa Mensal de Comércio (PME/IBGE) do mês de novembro/25. Quando na comparação com em novembro de 2024 a queda foi de -0,3%, assim como no acumulado do ano (-0,3%) e dos últimos 12 meses até novembro (-0,2%).

O presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), José Roberto Tadros, alerta sobre o efeito devastador do juro elevado: trava o varejo, encarece o crédito e dificulta o crescimento econômico.“O ciclo de endividamento e inadimplência do consumidor tem efeito no bolso das famílias brasileiras e no planejamento do investimento por parte do empresário. Precisamos fazer um esforço para ter taxas de juros menores, devolvendo poder de compra ao trabalhador”.

A realidade demonstra que a economia caminha doente. A razão dos lucros insólitos dos bancos se contrapõem às demais atividades da economia. Os bancos não cumprem seu papel social de fornecedor de crédito para o desenvolvimento econômico, pelo contrário, se utilizam da sua importante posição na economia para concentrar para si o que esta consegue se desenvolver apesar deles.

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