Sede do Sindicato dos Bancários reuniu dirigentes sindicais, de movimentos sociais e partidários no lançamento do livro “Guatemala e Palestina sob o tacão genocida de Israel – Uma história silenciada pela mídia hegemônica”
O Sindicato dos Bancários de Araraquara e Região realizou, na noite desta quarta-feira (4), o lançamento do livro-reportagem “Guatemala e Palestina sob o tacão genocida de Israel – Uma história silenciada pela mídia hegemônica”, do jornalista Leonardo Wexell Severo, repórter-especial da Hora do Povo e integrante do Sindicato dos Escritores de São Paulo.
Na avaliação de Rosângela Lorenzetti, diretora da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado de São Paulo (Fetec-CUT-SP), “o evento cumpriu o seu papel ao consolidar o papel da entidade como espaço de formação crítica, resistência e solidariedade internacional”.
Como destacou a Federação, “a obra apresentada por Leonardo Wexell Severo é resultado de um trabalho jornalístico profundo e minucioso, baseado em pesquisas, relatos e vivências diretas do autor em territórios atravessados por violência, repressão e silenciamento histórico”. Desta forma, assinala, “com rigor investigativo e compromisso com a verdade, o livro expõe massacres e processos de extermínio sofridos pelos povos da Guatemala e da Palestina – episódios que seguem, ainda hoje, invisibilizados ou distorcidos pela grande mídia”.
REVERBERANDO VOZES SILENCIADAS
A advogada Renata Fattah, vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Araraquara, considerou que “a atividade foi de grande importância por reverberar vozes que são silenciadas por boa parte da mídia sobre o genocídio do povo palestino e guatemalteco, questionando narrativas hegemônicas e histórias que se repetem nos dois países”. “Foi um evento que fortaleceu consciências”, sublinhou.
Conforme Mauro Bianco, liderança do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a atividade cumpriu o papel de aglutinar e mobilizar forças para combater o imperialismo e o sionismo, com sua política de segregação, parasitismo e morte. “A presença do companheiro Leonardo representa um forte incentivo à reflexão e ação na luta pela humanidade. Os companheiros bancários estão de parabéns por fazer do seu Sindicato um espaço de combate pela solidariedade”, reforçou.
Representante da comunidade palestina, Marian Jabr, que chegou ao Brasil aos 15 anos como sobrevivente da Nakba (do árabe “catástrofe”), descreveu os contínuos crimes cometidos pelos israelenses com a expulsão violenta e o deslocamento forçado de centenas de milhares de conterrâneos. Emocionada, usou do microfone para conclamar os presentes a lutarem pela criação do Estado palestino, bem como do direito de todos ao regresso.
Para o escritor, com experiência em mais de 20 países, “neste momento em que o governo de Donald Trump anuncia um ‘Conselho da Paz’ e se autonomeia para o cargo de presidente vitalício – para ditar as regras do mundo – e o fascista Benjamin Netanyahu fala em ‘solução final’, fica claro que imperialismo e sionismo são duas faces da mesma moeda”.
OS MASSACRES DE ISRAEL
“Tive contato com a prática dos sionistas – que são ‘judeus nazistas’ -, ao visitar a Guatemala em 2013 e 2024, e a Palestina, em 2000 e 2015”, informou Severo. Na oportunidade, “vi a forma como ambos os povos foram terrivelmente massacrados por Israel”. “Na Cisjordânia e na Faixa de Gaza havia centenas de crianças alvejadas por fuzis com miras telescópicas pelo simples fato de atirarem pedras em tanques de guerra”, recordou. Várias delas gravemente feridas por uma bala de aço revestida com borracha, apontou, “para não matar, ‘apenas cegar’, diziam”. “Agora a situação é ainda mais horripilante em Gaza, pois despejam bombas, multiplicando cadáveres. Oficialmente já são mais de 70 mil palestinos mortos e 170 mil feridos, cerca de seis mil mutilados, grande parte crianças”, frisou.
Na Guatemala, com a derrubada de Jacobo Árbenz em 1953, os EUA puseram fim à reforma agrária e às conquistas sociais em favor da United Fruit Company. Logo depois, diante do crescimento da resistência, entraram os israelenses para fazer o jogo sujo e lucrarem com a indústria da morte, com seus aviões Arava e seus fuzis Galil. “Entre 1960 e 1996, oficialmente, foram mais de 200 mil guatemaltecos assassinados e 45 mil desaparecidos, entre eles cinco mil meninos e meninas”, lembrou Severo.
Para a secretária geral do Sindicato dos Bancários de Araraquara e Região, Andréia Cristina de Campos, “foi uma noite histórica, pois a presença massiva de bancários, dirigentes sindicais, militantes, movimentos sociais e representantes da sociedade civil mostra que Araraquara tem compromisso com a consciência crítica e com a solidariedade entre os povos”. “Agradecemos profundamente a participação de todos e, principalmente, a presença do Leonardo, que nos trouxe uma obra de enorme relevância e coragem. O Sindicato tem orgulho de ser uma entidade cidadã, que não se limita à defesa da categoria bancária, mas contribui com debates que impactam a humanidade e fortalecem a luta por justiça social”, concluiu Andréia.











